Mensagem da Diretoria da ABPP – 2015/2016

Mensagem da nova diretoria da ABPP

Em 17 de outubro de 2014, durante a assembleia ordinária da Associação Brasileira de Psicologia Política realizada durante o VIII Simpósio Brasileiro de Psicologia Política, sediado em Goiânia na Universidade Federal de Goiás, foi eleita a diretoria para o biênio 2015/2016.

Nesta eleição houve renovação de quase todos os membros da diretoria: Fernando Lacerda Jr. da Universidade Federal de Goiás na presidência; Aline Reis Calvo Hernandez da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul na secretaria geral; Frederico Viana Machado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul na vice-presidência da Regional Sul; Márcia Prezotti Palassi da Universidade Federal do Espírito Santo na vice-presidência da Regional Sudeste; Jáder Ferreira Leite na vice-presidência da Regional Nordeste; Enock da Silva Pessoa da Universidade Federal do Acre na vice-presidência da Regional Norte; Daniele Nunes Henrique Silva da Universidade de Brasília na vice-presidência da Regional Centro-Oeste. O Conselho Fiscal é composto por três membros titulares: Alan Christi Vieira Rocha da Universidade Severino Sombra e Subsecretário de Prevenção à Dependência Química da Prefeitura Municipal de Maricá; Jacqueline Gomes de Jesus, Pós-Doutora pela Escola Superior de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro; e Semíramis Costa Chicareli, pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Psicologia Política, Políticas Públicas e Multiculturalismo da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo. Os suplentes são Babel Hajar pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisa em Psicologia Política, Políticas Públicas e Multiculturalismo da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo; e Leandro Amorim Rosa, professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Catanduva em São Paulo.

A ABPP foi fundada em 2001 e, desde então, surgiram novos grupos de pesquisa em Psicologia Política, reflexo da formação de uma nova geração de doutores e pesquisadores que diversificam o campo ao mesmo tempo em que interiorizam e levam para outros estados perspectivas psicopolíticas para pensarmos os problemas sociais e políticos atuais. Desde a fundação da ABPP, foi mantida a publicação da Revista Psicologia Política que, apesar de inúmeras dificuldades, se mantém como principal periódico do campo no Brasil e foram realizados oito simpósios que, além de diversidade regional, demonstraram a pluralidade teórica e temática que caracteriza a Psicologia Política no Brasil.

A realização do VIII Simpósio em Goiânia foi importante por deslocar os eventos das regiões Sul e Sudeste para o Centro-Oeste, o que demonstrou o interesse de pessoas pesquisando, trabalhando e estudando no campo da Psicologia Política em quase todo o país. Durante o VIII SBPPP, quase quatrocentos participantes de todas as regiões do país (não houve a participação apenas de três Unidades da Federação) e de outros oito países (Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, México, Moçambique, Peru e Uruguai). Diferentemente dos outros simpósios, em que pesquisadores do sudeste eram a grande maioria, neste tivemos intensa participação de pesquisadores do Nordeste. Houve a aprovação de quase duzentos trabalhos em nove dos dez eixos propostos, sendo grande parte de alunos de pós-graduação (doutorado e mestrado). Ressalta-se o fato curioso de não ter havido a inscrição de trabalhos no eixo “Comportamento Eleitoral e Marketing Político”, um eixo tradicional nos estudos da Psicologia Política, principalmente norteamericana. O evento recebeu apoio da CAPES, do CNPq e da FAPEG.

Os temas discutidos no Simpósio demonstraram não apenas temas tradicionais no campo da Psicologia Política, mas preocupações específicas de pessoas engajadas com a superação de processos opressivos e desigualdades sociais: ações coletivas, movimentos sociais e participação política; raça/etnia, relações de classe, gênero e orientação sexual; consciência política e cultura política; educação, políticas públicas e inclusão social; memória, violência política e direitos humanos; mídia, religião e política; comunidade e intervenção social; crítica da psicologia e psicologia crítica; trabalho, saúde do trabalhador e cooperativismo.

Nos últimos eventos e nas publicações da Psicologia Política não se identifica apenas uma diversidade temática, mas importante pluralidade teórica que, não obstante a inexistência de acordos teóricos, é acompanhada pela existência de preocupações ético-políticas comuns: a crítica da organização societária atual, questionamento de práticas e saberes de dominação heteronormativa, sexista e/ou racista, a defesa de lutas insurgentes contra a ordem existente, análise das possibilidades e dificuldades de atuação dos movimentos sociais e/ou instituições sociais. Assim, da mesma forma que a Psicologia Política brasileira, a nova diretoria é composta por um grupo que é caracterizado pela multiplicidade de vozes e perspectivas. O que não significa inexistência de preocupações comuns.

A diretoria definiu em seu plano de atividades: priorizar a reorganização formal da ABPP; contribuir para a divulgação da Psicologia Política por meio do fortalecimento da Revista Psicologia Política, da construção de uma página da ABPP e apoiando a organização do IX Simpósio Brasileiro de Psicologia Política (que será sediado em Natal/RN em outubro de 2016); retomar o contato da ABPP com outras associações e outros fóruns importantes da Psicologia brasileira e internacional. Além disto, como marcado na programação do VIII Simpósio, trabalharemos para internacionalizar as produções do campo e as parcerias de pesquisa, sobretudo, com pesquisadores dos demais países da América do Sul.

Por fim, buscaremos apresentar posicionamentos da ABPP sobre acontecimentos importantes em nossa sociedade, pois compreendemos que a construção da Psicologia Política no Brasil não se caracteriza pela busca de um espaço isolado dos conflitos sociais. A unidade na diversidade que marca a Psicologia Política se expressará na preocupação da atual diretoria em canalizar seus esforços para construir a Psicologia Política como um espaço que aglutina e promove esforços de pessoas que – estudando, atuando profissionalmente e/ou pesquisando – buscam enfrentar a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais, denunciar velhos e novos golpismos, analisar criticamente o desajuste social realizado em nome de um suposto ajuste fiscal e fortalecer processos de insurgência micropolítica e macropolítica contra processos de exploração e opressão que assolam a sociedade brasileira ao longo do violento processo de modernização que marca sua história.

A Psicologia Política brasileira é um fértil espaço para a difusão de saberes e práticas que, inspirados pelas lutas e disputas para mudar nossa sociedade, rompem com fronteiras disciplinares tradicionais. A Revista Psicologia Política é uma rica expressão dessa fertilidade. Assim, fazemos um convite para todas as pessoas que estão em contato, lendo ou publicando textos, com esse importante periódico brasileiro: participem da história da Psicologia Política no Brasil e na América Latina se associando à Associação Brasileira de Psicologia Política.

 

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