Carta do Fórum das Ciências Humanas, Sociais, Sociais Aplicadas, Letras, Linguística e Artes (FCHSSALLA) sobre a situação dos periódicos científicos

Ao Fórum de Pró-reitores de Pesquisa e Pós-graduação 

À Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais

À Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior

Aos Gestores/as das Universidades Públicas, Privadas, Comunitárias e Confessionais

Editores/as e representantes de entidades do Fórum das Ciências Humanas, Sociais, Sociais Aplicadas, Letras, Linguística e Artes (FCHSSALLA), reunidos durante evento do Fórum de Editores da ANPOLL, reforçam os princípios e diagnósticos que têm sido realizados em diversos espaços sobre a situação dos periódicos científicos das nossas áreas e apontam medidas urgentes para garantir a sobrevivência qualificada desses periódicos.

Partindo do pressuposto de que o conhecimento produzido em nossas universidades deve ser de acesso amplo e gratuito, com preocupação crescente, observamos que os financiamentos para divulgação científica, que já eram insuficientes, sofreram cortes ainda maiores. Estes cortes implicam não só no fechamento de periódicos importantes e consolidados, como ameaçam a sobrevivência de muitos outros das áreas das Humanidades, gerando um impacto negativo que vai no sentido oposto ao da democratização do acesso ao conhecimento. Em função deste quadro algumas medidas precisam ser tomadas:

1 – É urgente que as universidades apoiem de forma objetiva o trabalho de produção dos periódicos. Editores/as e demais membros de equipe, que trabalham voluntariamente, devem ter este trabalho reconhecido de forma objetiva, como, por exemplo, alocando-se estas horas de trabalho na carga horária total do/da docente. Além desta proposta, é vital a existência de suporte mediante contratação de bolsistas ou produção de editais próprios de sustentação das revistas, entre outras iniciativas similares possíveis a cada Instituição.

2 – É imperativo que o trabalho de todos/as envolvidos/as na produção dos periódicos seja melhor contemplado. Em outras palavras, que este trabalho seja incorporado, de modo substantivo, como índice de avaliação nas universidades, pelas áreas e pelas agências de fomento, incluindo-se nesses processos a valorização do trabalho essencial de pareceristas;

3 – Os critérios de avaliação das áreas, incluindo os que definem o Qualis, devem levar em conta a expertise e o trabalho de editores/as de periódicos;

Acreditamos que estas ações são imprescindíveis e precisam ser priorizadas em nossos espaços acadêmicos. Caso contrário, todo o sistema de difusão do conhecimento, que se entrelaça aos sistemas de avaliação da pós-graduação, poderá ser irremediavelmente comprometido. Neste sentido, aguardamos um posicionamento sobre o que apontamos, na perspectiva de encaminhamentos e soluções resultantes dos férteis e respeitosos diálogos que sempre mantivemos. 

Assinam:

Fórum de Ciências Humanas, Sociais, Sociais Aplicadas, Letras, Linguística e Artes – FCHSSALLA

Fórum de Editores da ANPOLL

Associação Brasileira de Antropologia – ABA

Associação Brasileira de Ciência Política – ABCP

Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social – ABEPSS

Associação Brasileira de Ensino de Biologia – SBENBio

Associação Brasileira de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias – ESOCITE.BR

Associação Brasileira de Literatura Comparada – ABRALIC

Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas – ABRAPCORP

Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo – SBPJor

Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências – ABRAPEC

Associação Brasileira de Professores de Italiano – ABPI

Associação Brasileira de Psicologia Política – ABPP

Associação de Linguística Aplicada do Brasil – ALAB

Associação Nacional de História – ANPUH

Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Letras e Linguística – ANPOLL

Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música – ANPPOM

Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia – ANPEPP

Associação Nacional de Pesquisa e Pós Graduação em Turismo – ANPTUR

Associação Nacional de Pós-graduação em Teologia e Ciências da Religião – ANPTECRE

Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais – ANPOCS

Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Geografia – ANPEGE

Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Comunicação – Compós

Fórum de Editores da FFLCH da Universidade de São Paulo

Revista de Ensino de Biologia da SBEnBio – RENBio

Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos – SBEC

Sociedade Brasileira de História da Educação – SBHE

Sociedade Brasileira de Psicologia – SBP

Sociedade Brasileira de Sociologia – SBS

DIA DA TRABALHADORA E DO TRABALHADOR – MENSAGEM DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOLOGIA POLÍTICA

01 DE MAIO DE 2021

Neste 01 de maio de 2021 encontramo-nos em um país marcado por mais de 400 mil mortes pela pandemia da COVID-19. Vidas de trabalhadoras e de trabalhadores, vidas, sobretudo, daquelas e daqueles que antes da pandemia já vivenciavam perdas de direitos com a Reforma Trabalhista Neoliberal do Governo Temer, com a Reforma da Previdência Neoliberal do Governo Bolsonaro. Que antes da tragédia de saúde pública já sentiam maior dificuldade de comprar alimentos básicos para si e para seus filhos e suas filhas, afinal terminamos 2019 com quase 13 milhões de desempregados, o dobro do que tínhamos em 2014, ano em que se iniciou o processo do Golpe de 2016 com o não reconhecimento do resultado da eleição presidencial pelo candidato derrotado do PSDB.

Hoje a luta das trabalhadoras e dos trabalhadores se faz ainda mais importante, pois temos um governo federal que negou e que continua a negar a ciência no combate à pandemia e que pouco se importa com aquelas e aqueles que produzem a riqueza do país. Este governo só se dispôs a pagar um auxílio emergencial em 2020 após pressão da sociedade civil e do Parlamento e retomou este pagamento em 2021 com valores irrisórios, pois defende que o “Brasil não pode parar”, ou seja, que os trabalhadores e as trabalhadoras devem se colocar em risco de contaminação e que os desempregados e desempregadas que se virem para sobreviver.   

Hoje, em razão da grave situação da pandemia no Brasil e, assim, da necessidade de distanciamento social, não podemos, infelizmente, estar nas ruas, mobilizados contra as políticas econômica, sanitária, ambiental, cultural, social “genocidas” do governo federal e a favor do impeachment do presidente da República, responsável por diversas tragédias que vivemos. Deste modo, que possamos conversar – em nossas casas, com os familiares com os quais moramos, com os amigos com os quais falamos por telefone ou pelas redes sociais – sobre política, sobre como as ações do governo federal e daquelas e daqueles que apoiam este governo perturbam nossas possibilidades de bem viver; abalam nossa esperança de vivermos em uma sociedade na qual as pessoas reconhecem umas às outras como iguais e que todas tenham condições dignas para cotidianamente terem a certeza que não terão suas existências ameaçadas; desamparam crianças, jovens e adultos e, assim, prejudicam o alcance das coisas mais essenciais ou pequenas que nos permitem sorrir. Falar de política é pensar sobre nosso cotidiano, sobre o que fazemos nele, sobre como ele é afetado pelas ações dos outros e dos governos, sobre como podemos muda-lo coletivamente, portanto, política é tema para todas crianças, jovens e adultos, sem distinção.

Que neste 01 de maio de 2021, mesmo distantes, estejamos juntos na transformação de ódios em lutas por direitos, de negacionismo em defesa da ciência e do SUS, de conservadorismo em reconhecimento de pluralidade de formas de ser e de viver que não neguem umas às outras, de precariedades da vida em horizontes políticos de sociedade fundamentados em vidas melhores vividas.

Lutemos, lutemos e lutemos! O dia é de luta e na figura das trabalhadoras e dos trabalhadores da saúde, de todos os níveis e hierarquias, de todos os locais de atenção e cuidado, a ABPP homenageia a classe trabalhadora por sua lida cotidiana na produção e reprodução da vida, e nos unimos na construção de um mundo onde possamos viver com dignidade, liberdade e justiça.

Diretoria da Associação Brasileira de Psicologia Política – Biênio 2021-2022

1964 / 2021: assanham-se os autoritários

31 de março de 2021

O golpe parlamentar-jurídico de 2016 tornou explícito a presença de apoiadores da ditadura civil-militar iniciada em 1964 no Parlamento brasileiro. A homenagem ao Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador no período ditatorial, proferida por Jair Bolsonaro em seu voto a favor do Impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff não foi punido por nenhum dos três Poderes Constitucionais do Estado Democrático Brasileiro. Muito pelo contrário, serviu de palanque para a campanha eleitoral vitoriosa de Bolsonaro à presidência da República, em 2018.

Entre golpe e homenagens à torturador vimos também a construção por parte da grande mídia brasileira de um novo “herói nacional”, Sergio Moro, o qual serviu ao sucesso da candidatura do “mito” e ao governo deste, como Ministro da Justiça.

Chegamos ao 57º aniversário do golpe civil-militar de 1964. Neste mês de março de 2021 o mesmo Superior Tribunal Federal que legitimou o golpe de 2016, decidiu favoravelmente pela suspeição de Moro no julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O “herói” não era apenas uma fraude, era também autoritário. No dia 30 de março tivemos, pela primeira vez na história democrática brasileira, a renúncia dos três Comandantes das Forças Armadas após a demissão por Bolsonaro do General Fernando Azevedo e Silva, Ministro da Defesa. Em sua carta de saída do governo, o General considerou necessário afirmar que preservou as Forças Armadas como instituições de Estado, ou seja, que elas não estão à serviço do governo.

O substituto do General Fernando Azevedo, o também General Walter Braga Netto, até então Ministro da Casa Civil – como sabemos, há grande presença de integrantes das Forças Armadas em cargos do governo Bolsonaro -, iniciou sua atuação no Ministério da Defesa fazendo o mesmo que seu antecessor em anos anteriores: publicou uma nota de elogio ao golpe de 1964.

A substituição do Ministro da Defesa e a renúncia dos Comandantes das Forças Armadas são atos importantes a ser considerados no jogo autoritário do governo Bolsonaro, sobretudo, porque parecem estar ligados a alegação por parte do presidente de falta de apoio a ideias recentes dele como a de decretar ações contrárias a governadores que têm apoiado medidas restritivas para combater a pandemia da Covid-19. Entretanto, é importante não esquecermos que durante o período do General Fernando Azevedo como Ministro da Defesa, Bolsonaro participou e incentivou atos antidemocráticos, bem como que foi defendida a narrativa do golpe civil-militar de 1964 como um “movimento” para “garantir as liberdades democráticas que hoje desfrutamos”, como afirmou ontem o General Walter Braga Netto.

A Associação Brasileira de Psicologia Política ressalta sua posição completamente contrária a qualquer ato de apoio ao golpe de 1964, à ditadura civil-militar decorrente dele e a quaisquer ações autoritárias vivenciadas no país após o fim da ditadura. Não podemos permitir sequer “uma pólvora” favorável ao autoritarismo, o qual longe de proteger direitos democráticos, legitima a tortura, o assassinato, a perseguição política, a censura àquelas e àqueles que não se calam e não cansam de lutar por horizontes mais igualitários e livres.

“Apesar de você, amanhã há ser outro dia”

#DitaduraNuncaMais

Manifesto contra a política armamentista do Governo Bolsonaro

O atual governo federal tem produzido ações e práticas que “em nome do povo brasileiro” colocam em risco as instituições democráticas, os direitos humanos, a saúde coletiva e, mais propriamente, no que tange ao foco desta nota, a segurança pública. No último dia 12 de fevereiro, o presidente Bolsonaro assinou quatro decretos que facilitam ainda mais a aquisição de armas, além de diminuir sua fiscalização. Desde que eleito, trata-se do trigésimo ato normativo por ele assinado que dá continuidade à sua política armamentista. Caso não seja considerado inconstitucional (como ações perpetradas na justiça demandam), proporcionará um aumento significativo do número de armas permitidas para a população em geral (4 a 6 armas para cada cidadão), e maior ainda para grupos específicos como integrantes da polícia, magistratura, Ministério Público, agentes e guardas prisionais.

A redução do controle e do rastreamento de armas facilita o crime organizado, fortalece ações violentas de latifundiários contra populações indígenas e movimentos camponeses, gera ainda mais insegurança para populações vulnerabilizadas, favorece o interesse das milícias. Além disso, a recente invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, por extremistas de direita mostra, de maneira evidente, os riscos de grupos armados diante da insatisfação de seus interesses como, por exemplo, a derrota eleitoral de candidatos que apoiam.  Importante lembrarmos que reiteradas vezes, o presidente Bolsonaro, a exemplo do ex-presidente estadunidense, expressou sua desconfiança com relação às eleições e afirmou querer ver a população armada.

A demanda pela flexibilização da posse e do porte, da aquisição e da manutenção, do rastreamento e controle de armas antecede a eleição do governo Bolsonaro. A satisfação dessa demanda é buscada no Congresso Nacional por grupos de parlamentares como os participantes da chamada “bancada da bala”, que ajudou a eleger o presidente atual. Atuar contra a política armamentista fomentada pelos decretos presidenciais é também atuar contra o fortalecimento dos interesses desses grupos e o sistemático desmonte do Estatuto do Desarmamento (Lei 10826, de 22 de dezembro 2003).

A Associação Brasileira de Psicologia Política e outras associações científicas que assinam este manifesto, considerando a gravidade desses decretos presidenciais, na defesa da preservação das instituições democráticas, dos direitos humanos colocam-se veementemente contrárias à Política Armamentista do Governo Bolsonaro e favoráveis à construção de políticas que tenham como pressuposto “menos bala” e maior investimento na garantia de direitos à população brasileira.

Assinam:

ABPP – Associação Brasileira de Psicologia Política

ABEP – Associação Brasileira de Ensino de Psicologia

ABPD – Associação Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento

ABPSA – Associação Brasileira de Psicologia da Saúde

ABRANEP – Associação Brasileira de Neuropsicologia

ABRAP – Associação Brasileira de Psicoterapia

ABRAPEE – Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional

ABRAPSIT – Associação Brasileira de Psicologia do Tráfego

ABRAPSO – Associação Brasileira de Psicologia Social

CONEP – Coordenação Nacional dos Estudantes de Psicologia

FENAPSI – Federação Nacional dos Psicólogos

FLAAB – Federação Latino Americana de Análise Bioenergética

IBAP – Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica

IBNeC – Instituto Brasileiro de Neuropsicologia e Comportamento

O 8 DE MARÇO (8M) – UM DIA POLÍTICO

O mês de março costuma ser aquele período do ano no qual as mulheres são lembradas e parabenizadas pelo dia 8. No entanto, o dia 8 de março, muito mais que desejar um dia feliz, receber flores e bombons, é uma data política, resultante da luta de muitas mulheres para que todas fossem visibilizadas e, principalmente, para que as condições de opressão e subalternidade vividas pela parcela feminina da sociedade ocupassem os espaços do debate sobre a mulher. Condições estas que são impostas pela estrutura patriarcal que rege a sociedade.A ABPP quer, nesse dia, marcar como um dia político e de reflexão. Mais que as comemorações pelas conquistas femininas, ainda há muitas lutas para se levantar. Pelo fim da violência contra a mulher e que o feminicídio não seja as manchetes nas mídias. Que as desigualdades no mercado de trabalho não precarizem ainda mais as condições de trabalho da mulher. Pelo fim de qualquer assédio dirigido às mulheres. Enquanto uma mulher estiver sendo violentada, morta, preterida em cargos gerenciais, excluída por sua cor, por sua identidade de gênero, impedida de ocupar qualquer espaço na sociedade, não ser ouvida, não poder decidir sobre o seu corpo, receber os menores salários, entre tantas outras demandas e opressões vividas pelas mulheres, o dia 8 de março não será um dia de desejar “feliz dia das mulheres”.

Assim, a ABPP busca refletir sob a matriz dos princípios éticos e dos direitos de homens e mulheres, com ações pautadas na construção de políticas públicas para a promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade de todas as pessoas, especialmente das mulheres, para o rompimento das opressões, hierarquias e para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Estas devem ser as marcas para nossa atuação, no trabalho e na luta pela causa feminista. O que querem as mulheres com suas lutas? Muitas são as respostas, mas principalmente viver plenamente a vida com dignidade, respeito, igualdade e cidadania.

Nota da Diretoria da Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP) em defesa da Universidade Pública e em solidariedade aos professores Pedro Curi Hallal e Eraldo dos Santos Pinheiros

Em um momento em que a crise sanitária causada pela pandemia da COVID-19 se agrava ainda mais, o atual governo federal, novamente, realiza ataques às Universidades Públicas brasileiras. Enquanto vários países demonstram que o investimento na ciência e na pesquisa é um caminho incontornável para a superação da atual crise, assim como para avanços econômicos e sociais, o governo federal continua a tomar universidades e cientistas como inimigos. O governo que cortou e contingenciou verbas e interveio na escolha de dirigentes de instituições de ensino superior, agora investe diretamente contra um dos fundamentos da Universidade: a liberdade de pensamento e expressão.

Os professores Pedro Curi Hallal e Eraldo dos Santos Pinheiros, ambos docentes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), foram levados a assinar um termo de ajuste de conduta – exarado nos autos do Processo 00190.100589/2021-98 – por manifestarem críticas a Jair Bolsonaro. Os docentes são acusados de “manifestação desrespeitosa e de desapreço direcionada ao Presidente da República”. Um presidente que escolhe interventores para assumirem a direção de instituições públicas de ensino superior; um presidente que asfixia o orçamento das universidades; um presidente que ignora a ciência e realiza deliberadamente uma política de morte para dezenas de milhares de brasileiros(as) durante a pandemia em curso. Um presidente ao qual qualquer traço de democracia, liberdade e diversidade lhe parece insuportável.

A Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP) expressa sua solidariedade aos professores Pedro Curi Hallal e Eraldo dos Santos Pinheiros. ABPP soma-se a uma multiplicidade entidades e pessoas em defesa da autonomia universitária, liberdade de expressão e pensamento, fortalecimento da ciência e democracia. Enquanto o presidente Jair Bolsonaro continuar a conduzir o país por um caminho de servidão e morte, também a ABPP reforçará as vozes contrárias a seu governo. Como é próprio da Psicologia Política Latino-Americana, seguimos na defesa de um Brasil fundado na equidade, diversidade, participação democrática e em políticas que tenham a vida como prioridade.

Enquanto estiver em vigor um governo autoritário, anticientífico e antivida, criticá-lo não será um crime, mas um dever daqueles e daquelas que têm por ofício a educação e a produção de conhecimento.

Nota de repúdio do FENPB em relação às decisões tomadas pelo Governo Federal e Ministério da Saúde do Brasil em sua condução diante da Pandemia da COVID-19

Nós, entidades do Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira – FENPB manifestamos veementemente nosso repúdio em relação às decisões tomadas pelo Governo Federal e Ministério da Saúde do Brasil em sua condução diante da Pandemia da COVID-19.

Não podemos aceitar mais decisões pautadas em irresponsabilidade, inverdades, negacionismo, desrespeito à população, descrédito à ciência, falta de planejamento e gerenciamento, incentivo a atitudes contrárias à prevenção da doença, dentre outras barbáries.

Tais decisões têm resultado no quadro extremamente grave que estamos presenciando com grande tristeza em todo o país, e em especial, com os nossos irmãos amazonenses, aos quais manifestamos aqui nossa solidariedade.

Não é possível tolerarmos mais tamanha incompetência e descaso dos governantes brasileiros diante das vidas humanas.

À gravidade da situação pandêmica e reais ameaças que este vírus representa à saúde e à vida, soma-se o sentimento de insegurança e desamparo provocado pela inoperância, lentidão e descaso do governo federal, que provoca sofrimento psíquico, desesperança, adoecimento psicológico. Como entidades que estudam e atuam no campo da Psicologia, que entendem o ser humano em sua totalidade física e psicológica, alertamos para os riscos que extrapolam os efeitos diretos do vírus, mas que afetam a vida e não podem ser negligenciados.

É preciso reagir antes que todos os Estados da Federação vivam a mesma situação do Amazonas, razão pela qual vimos a público manifestar nossa indignação e repulsa diante do que vem ocorrendo desde o início da pandemia, culminando com as tragédias que estamos vivenciando.

Assim, em nome dos profissionais, psicólogos e psicólogas, docentes e estudantes vinculados às entidades do FENPB, exigimos medidas imediatas para que a vacinação possa ser iniciada para toda a população brasileira que se encontra  nesse  momento

no espectro dos grupos de maior risco de morte e internação: trabalhadores da saúde e assistência social que atuam nas frentes de combate à COVID 19, profissionais da educação, idosos, pessoas com deficiência e comorbidades, comunidades indígenas e quilombolas. Só a vacinação em massa reduzirá a velocidade acelerada da propagação do vírus. É inaceitável que em função de tantos erros no gerenciamento da saúde, milhares de vidas sejam ceifadas. O Brasil bateu a marca de 210 mil mortos na data de hoje, 19/01/2021, com mais de mil mortes por dia. Basta de tantas mortes e de desencontros de informação.

Um governo que não cuida de seus cidadãos e cidadãs, que não preza os princípios constitucionais e que não promove a saúde e o bem estar, principalmente numa crise sanitária desta grandeza, nega todos os princípios e valores da vida humana e não é digno de ocupar o lugar institucional para o qual foi eleito. 

Vacina já! Campanha de vacinação já! Respeito à vida humana já!

Assinam essa nota as seguintes entidades da Psicologia:

ABECIPsi – Associação Brasileira de Editores Científicos de Psicologia

ABEP – Associação Brasileira de Ensino de Psicologia

ABOP – Associação Brasileira de Orientação Profissional

ABP+ – Associação Brasileira de Psicologia Positiva

ABPD – Associação Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento

ABPJ – Associação Brasileira de Psicologia Jurídica

ABPP – Associação Brasileira de Psicologia Política

ABPSA – Associação Brasileira de Psicologia da Saúde

ABRANEP – Associação Brasileira de Neuropsicologia

ABRAP – Associação Brasileira de Psicoterapia

ABRAPAV – Associação Brasileira de Psicologia da Aviação

ABRAPEE – Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional

ABRAPESP – Associação Brasileira de Psicologia do Esporte

ABRAPSIT – Associação Brasileira de Psicologia de Tráfego

ABRAPSO – Associação Brasileira de Psicologia Social

ANPEPP – Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia

CFP – Conselho Federal de Psicologia

CONEP – Coordenação Nacional de Estudante de Psicologia

FENAPSI – Federação Nacional dos Psicólogos

FLAAB – Federação Latino-americana de Análise Bioenergética

IBAP – Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica

IBNeC – Instituto Brasileiro de Neuropsicologia e Comportamento

SBHP – Sociedade Brasileira de História de Psicologia

SBPOT – Associação Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho

Vacinação para toda a população

O Conselho Federal de Psicologia (CFP), os 24 Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs) e o Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira (Fenpb) vêm a público posicionar-se em favor da incorporação das vacinas contra a Covid-19 no programa nacional de imunização (PNI), como forma de garantir a vacinação de toda a população brasileira por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O PNI é um patrimônio brasileiro, cuja experiência consolidada permite a realização sistemática de campanhas de vacinação de grande porte, sendo tal competência inestimável para o desafio imposto pela pandemia que assola o país é o mundo.

O recrudescimento da doença em diversos países, inclusive no Brasil, tem provocado impactos negativos graves na saúde e qualidade de vida de toda a população, com destaque para as mais vulneráveis, decorrentes do isolamento social, acirrando as desigualdades sociais, comprometendo a retomada da economia.

Passado quase um ano do anúncio da doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o mundo recebe das mãos da ciência várias opções de vacinas eficazes e seguras que irão contribuir para a retomada gradual das escolas e universidades, dos postos presenciais de trabalho e das relações sociais.

O CFP, os CRPs e o Fenpb ressaltam, mais uma vez, a necessidade urgente de um planejamento nacional para a vacinação no Brasil, respeitando-se os princípios do SUS da Universalidade e da Equidade, que preceituam o direito à atenção à saúde por parte de todas as pessoas.

A não garantia destes princípios contribui sobremaneira para a fragilização do SUS e o acirramento das desigualdades no país.

Em respeito à vida, VACINA JÁ!

Nota de falecimento – Professora Sylvia Leser de Mello

A Psicologia Social brasileira amanheceu mais triste nessa segunda-feira após feriados de final de ano e início de outro, com a notícia do falecimento da Professora Dra. Sylvia Leser de Mello, ontem, 3 de janeiro de 2021, em São Paulo. Incansável defensora dos direitos humanos, Sylvia atuou em frentes diversas que tinham como eixo comum a profunda fé no humano, como ela mesma dizia, sem, contudo, deixar de denunciar com afinco as faces perversas das iniquidades. Em tempos difíceis como os que vivemos, essa admiradora de Hannah Arendt conseguia continuar nos inspirando na luta por justiça social e uma vida mais digna para todes. Vinda da Filosofia, Sylvia, em sua tese de Doutorado, em plena ditadura militar, pesquisou a formação profissional em Psicologia e, naquele texto preciso, identificava as ciladas em torno do conceito de “normalidade”, que a Psicologia deve enfrentar com vigor, sob pena de perpetuar sua condição adaptativa, reguladora, ortopédica – diria Foucault. No prefácio escrito para seu livro Trabalho e Sobrevivência, Paulo Freire ressalta a belezura do texto de Sylvia, em seu estilo preciso, sólido, engajado, emocionado em muitas passagens. A criação do Laboratório de Estudos da Família, Relações de Gênero e Sexualidade, no Instituto de Psicologia-USP, do qual foi diretora, consolidou um eixo de seus trabalhos que há muito vinha sendo explorado ao tecer análises críticas sobre os modelos burgueses tomados como naturais, como é o caso da família nuclear, monogâmica, branca, cis e heterossexual, que até hoje é preconizada, por muitos, como a legítima, “saudável” e moralmente aceitável. Durante anos trabalhou arduamente na Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da USP, da qual era uma entusiasta, onde formou trabalhadores e estudantes orientada pelos princípios da Economia Solidária, em que o trabalho construído em bases igualitárias é um dos principais pilares. Em seus cursos, elaborava com precisão a crítica aos modos de dominação/exploração/opressão e ao cientificismo que lhes é conveniente/conivente. A paixão pela literatura  era compartilhada por ela, também, como forma de adentrar o mundo, a realidade mundana, a vida de mulheres e homens comuns. Inspiradora em sua coragem, sua delicadeza, sua intolerância para com as violências de todos os tipos, Sylvia Leser de Mello fez história. Deixa sua marca inegável em nós que com ela tivemos o privilégio de conviver, assim como naquelas e naqueles que, por meio de sua obra, são convocados ao enfrentamento das injustiças de todos os tipos e à produção de uma Psicologia crítica comprometida social e politicamente. Sylvia Leser de Mello, presente!

Nota da ABPP em solidariedade à comunidade acadêmica da UFPB

A Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP) foi criada em 2000, porém as suas raízes estão em articulações que ocorreram a partir do final da década de 1980 que teriam sido impossíveis sem o processo de redemocratização. Para pesquisadoras e pesquisadoras, uma das conquistas fundamentais do processo de transição democrática aparece no artigo 207 de nossa Constituição Federal de 1988, o qual assegura a autonomia universitária. Esta conquista foi relevante para as primeiras articulações que culminaram na criação da ABPP e é de extrema importância para a atuação crítica da associação.

Neste sentido, nos guiando pelos princípios democráticos que sempre marcaram a história da ABPP, seremos contra qualquer tipo de ataque aos direitos democráticos fundamentais. Por isso, repudiamos veementemente a nomeação do professor Valdiney Gouveia como reitor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

A nomeação de um professor que não recebeu um único voto dos conselheiros do órgão máximo de deliberação da UFPB e que recebeu 5% dos votos na consulta à comunidade da universidade demonstra a disposição do atual governo, como qualquer expressão de extrema-direita, em romper com princípios democráticos.

Não há nada de surpreendente, pois desde o golpe de 2016 e a chegada do governo Bolsonaro ao poder a violação aos fundamentos básicos de uma democracia tem se tornado o modus operandi prioritário de elites que, como vimos na pandemia de COVID-19, não têm qualquer pudor em sacrificar a classe trabalhadora.

Porém, intensifica nossa indignação ver que um pesquisador da Psicologia de uma universidade federal está com o seu nome estreitamente associado a um golpe contra o que a comunidade da UFPB decidiu sobre a sua reitoria. Caso o professor Valdiney Gouveia não recuse a nomeação realizada por Bolsonaro, ele estará compactuando com um duro ataque contra a autonomia universitária e o que estudantes, docentes e TAEs escolheram para a UFPB. Nada mais avesso ao fortalecimento da democracia no Brasil.

Por isso, a ABPP se posiciona favorável às lutas daquelas e daqueles que hoje lutam pelo #ForaValdiney e o respeito às deliberações da comunidade da UFPB. Reitora eleita, reitora empossada!