SBPC se manifesta em defesa das Ciências Humanas e Sociais.

No dia 26/04/2019, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifestou-se, através de nota pública, contestando os cortes propostos pelo presidente da República nos investimentos federais para as faculdades de Filosofia e Sociologia. Defendem que tais disciplinas produzem conhecimentos que são “imprescindíveis para o desenvolvimento de pesquisas e políticas públicas”.

Leia a nota na íntegra!

NOTA DE REPÚDIO A DECLARAÇÕES DO MINISTRO DA EDUCAÇÃO E DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA SOBRE AS FACULDADES DE HUMANIDADES, NOMEADAMENTE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA

A Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia (ANPOF) e associações abaixo mencionadas repudiam veementemente as falas recentes do atual presidente da república e de seu ministro da educação sobre o ensino e a pesquisa na área de humanidades, especificamente em filosofia e sociologia.

As declarações do ministro e do presidente revelam ignorância sobre os estudos na área, sobre sua relevância, seus custos, seu público e ainda sobre a natureza da universidade. Esta ignorância, relevável no público em geral, é inadmissível em pessoas que ocupam por um tempo determinado funções públicas tão importantes para a formação escolar e universitária, para a pesquisa acadêmica em geral e para o futuro de nosso país.

O ministro Abraham Weintraub afirmou que retirará recursos das faculdades de Filosofia e de Sociologia, que seriam cursos “para pessoas já muito ricas, de elite”, para investir “em faculdades que geram retorno de fato: enfermagem, veterinária, engenharia e medicina”. O ministro apoia sua declaração na informação de que o Japão estaria fazendo um movimento desta natureza.

De fato, em junho de 2015 o Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão enviou carta às universidades japonesas recomendando que fossem priorizadas áreas estratégicas e que fossem cortados investimentos nas áreas de humanidades e ciências sociais.

Após forte reação das principais universidades do país, incluindo as de Tóquio e de Kyoto (as únicas do país entre as cem melhores do mundo), e também da Keidanren (a Federação das Indústrias do Japão) – que defendeu que “estudantes universitários devem adquirir um entendimento especializado no seu campo de conhecimento e, de forma igualmente importante, cultivar um entendimento da diversidade social e cultural através de aprendizados e experiências de diferentes tipos” – o governo recuou e afirmou que foi mal interpretado.

A proposta foi inteiramente abandonada quando o ministro da educação teve de renunciar ao cargo, ainda em 2015, por suspeita de corrupção. Da forma como o ministro Abraham Weintraub apresenta o caso trata-se, portanto, de uma notícia falsa.

O ministro foi seguido pelo presidente, que mencionou que o governo “descentralizará investimentos em faculdades de filosofia”, sem especificar o que isto significaria, mas deixando claro que se trata de abandonar o suporte público a cursos da área de humanidades, nomeadamente os de Filosofia e de Sociologia. O presidente indica que investimentos nestes cursos são um desrespeito ao dinheiro do contribuinte e, ao contrário do que pensa a Federação das Indústrias do Japão, afirma que a função da formação é ensinar a ler, escrever, fazer conta e aprender um ofício que gere renda.

O ministro e o presidente ignoram a natureza dos conhecimentos da área de humanidades e exibem uma visão tacanha de formação ao supor que enfermeiros, médicos veterinários, engenheiros e médicos não tenham de aprender sobre seu próprio contexto social nem sobre ética, por exemplo, para tomar decisões adequadas e moralmente justificadas em seu campo de atuação. Ignoram que os estudantes das universidades públicas, e principalmente na área de humanidades, são predominantemente provenientes das camadas de mais baixa renda da população. Ignoram, por fim, a autonomia universitária, garantida constitucionalmente, quando sugerem o fechamento arbitrário de cursos de graduação.

Uma das maiores contribuições dos cursos de humanidades é justamente o combate sistemático a visões tacanhas da realidade, provocando para a reflexão e para a pluralidade de perspectivas, indispensáveis ao desenvolvimento cultural e social e à construção de sociedades mais justas e criativas.

Seguiremos combatendo diuturnamente os ataques à universidade pública e aos cursos de humanidades movidos pelo ressentimento, pela ignorância e pelo obscurantismo, também porque julgamos que esta é uma contribuição maiúscula da área de humanidades para o melhoramento da sociedade à nossa volta.

Associação Brasileira de Ensino de Ciências Sociais (ABECS)
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia (ANPEGE)
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (ANPUR)
Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE)
Sociedade Brasileira de História da Educação (SBHE)
Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC)
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd)
Associação Brasileira de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias (ESOCITE)
União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (Ulepicc-Brasil)
Associação Nacional de História (ANPUH)
Centro de Investigaciones Filosóficas (CIF/Argentina)
Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP)
Fórum Nacional de Diretores de Faculdades, Centros de Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras (FORUMDIR)
ODARA – Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Cultura, Identidade e Diversidade
Associação Brasileira de Antropologia (ABA)
Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes)
Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC)
Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJOR)
Associação Brasileira de História das Religiões (ABHR)
Asociación Costarricense de Filosofía (Acofi)
Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP)
Sociedade Brasileira de Ensino de Química (SBEnQ)
Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (Anfope)
Associação dos Professores da UDESC (Aprudesc – ANDES-SN)
Fórum Nacional dos Coordenadores Institucionais do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (FORPIBID)
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música (ANPPOM)
Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP)
Asociación Filosófica Argentina (AFRA)
Associação Brasileira de Ensino de Biologia (SBEnBio)
Fórum de Ciências Humanas, Sociais, Sociais Aplicadas, Letras e Artes (FCHSSALA)
Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (ABED)
Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM)
Associação Nacional de Pós graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL)
Fórum em Defesa do Ensino e dos Professores de História do Ceará
Associação Brasileira de Estudos do Século XVIII (ABES XVIII)
Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Teologia e Ciências da Religião (ANPTECRE)
Associação dos Licenciados em Filosofia (A.L.F.)
Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós)
Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN)
Associação Brasileira de Estudos do Trabalho (ABET)
Sociedade Brasileira de Estudos Organizacionais (SBEO)
Associação Brasileira de Hispanistas (ABH)
Sociedad Argentina de Análisis Filosófico (SADAF)
Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado da Bahia (SINTSEF/ BA)
Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
Associação Nacional de Ensino e Pesquisa do Campo de Públicas (Anepcp)
Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI)
Sociedade Brasileira de Filosofia Analítica (SBFA)
Associação de Pós-Graduandos da UFSC (APG-UFSC)
Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos (SBEC)
Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE)
Observatorio Filosófico de México (OFM)

NOTA DE REPÚDIO DE ENTIDADES DA PSICOLOGIA À COMEMORAÇÃO DO GOLPE CIVIL-MILITAR DE 1964

 Ditadura Nunca Mais! Golpe Civil-Militar de 1964: nada a comemorar e muito a se lembrar 

As Entidades da Psicologia abaixo-assinadas – no contexto atual de fortalecimento de pautas reacionárias, de elogios por parte do presidente da República a torturadores e a ditadores, de tentativas de revisionismo histórico pelo governo representado por ele em relação a acontecimentos violentos, antidemocráticos e desumanos – manifestam o repúdio a qualquer comemoração relativa ao Golpe Civil-Militar de 1964 ocorrido no Brasil.

É preocupante que o representante eleito democraticamente para a Presidência da República determine a comemoração em unidades militares de um período da história brasileira reconhecidamente marcado por um Golpe ao presidente também eleito democraticamente João Goulart, por violações de direitos humanos – tortura, censura, prisões arbitrárias, exílio –, pelo fechamento do Congresso Nacional, pela ausência de eleições diretas para Presidente de 1964 a 1989. A justificativa do porta-voz da Presidência para a determinação do presidente de que para ele o Golpe não foi Golpe, mas uma ação para colocar o país nos “rumos” coloca-nos a pergunta sobre os compromissos do governo atual com a democracia, tão enfraquecida em nosso país desde 2016.

Infelizmente, a posição do atual presidente da República, apesar de absurda a qualquer pessoa que se identifique com os princípios democráticos de igualdade e liberdade, não é uma surpresa. Basta lembrarmos sua declaração em homenagem ao torturador da ditadura militar brasileira Carlos Alberto Brilhante Ustra no processo de Golpe à Presidenta Dilma Rousseff, em 2016, exaltando com alegria ter sido ele o pavor de Dilma quando esta lutava contra a ditadura. Em consonância com estas posturas, fundamental também considerar os elogios do presidente ao ditador paraguaio Alfredo Stroessner e ao ditador chileno Augusto Pinochet. O que acarretou, inclusive, em os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado chilenos não terem comparecido ao almoço oferecido a Bolsonaro em sua visita oficial ao Chile neste mês.

Infelizmente, a Advocacia Geral da União (AGU) conseguiu derrubar a decisão da juíza federal Ivani Silva da Luz que proibia a comemoração do Golpe Civil-Militar de 1964. Conquista jurídica da AGU que – juntamente com informações da imprensa sobre a negação de Gilmar Mendes em dar seguimento no Superior Tribunal Federal a um mandado de segurança que solicitava a suspensão de atos em comemoração ao Golpe de 1964, retomando uma fala de 2018 do atual presidente do STF, Antônio Dias Toffoli, que não se tratou nem de Golpe nem de Revolução, mas de Movimento de 1964 – coloca-nos em alerta, mais uma vez, sobre a capacidade das instituições brasileiras em conter projetos golpistas e autoritários.

As Entidades da Psicologia colocam-se ao lado das e dos que foram exilados, que morreram e foram torturados nos porões da ditadura civil-militar brasileira por lutarem contra o autoritarismo de estado; dos parentes destas pessoas que sofreram e sofrem até hoje diante da ausência de seus entes; daquelas e daqueles que continuam a lutar pela afirmação de uma história que, ao invés de apagar as violações aos direitos humanos, explicite-as no combate a estes tempos tristes que estamos vivendo. Chegou um momento em que é ainda mais importante discutirmos nas escolas, universidades, praças públicas sobre os terrores das ditaduras de antes e dos autoritarismos de hoje. DITADURA NUNCA MAIS!

31 de março de 2019.

Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP)

Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP)

Associação Brasileira de Orientação Profissional (ABOP)

Associação Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento (ABPD)

Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE)

Associação Brasileira de Psicologia Jurídica (ABPJ)

Associação Brasileira de Psicologia Positiva (ABP+)

Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO)

Coordenação Nacional de Estudantes de Psicologia (CONEP)

Federação Latino Americana de Análise Bionergética (FLAAB)

Federação Nacional dos Psicólogos (FENAPSI)

Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (IBAP)

Instituto Brasileiro de Neuropsicologia e Comportamento (IBNeC)

Sociedade Brasileira de História da Psicologia (SBHP)

Sociedade Brasileira de Psicologia e Acupuntura (SOBRAPA)

 

NOTA EM APOIO À GESTÃO DA UFAL, PELA AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA E PELA DEMOCRACIA

A Reitoria da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) recebeu em 13 de março de 2019 um Mandado de Segurança Coletivo solicitando o reestabelecimento de rubricas salariais que foram retiradas por decisão anterior do TCU. A Reitoria logo após o recebimento do Mandado de Segurança, conforme consta em nota publicada no site da UFAL, encaminhou o Mandado à “Procuradoria Federal (PF) da instituição para providenciar o Parecer de Força Executória junto à Advocacia-Geral da União (AGU)”.

Apesar da Gestão atuar para o cumprimento da decisão e ter buscado evitar anteriormente a retirada das rubricas dos servidores, as diretorias do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Alagoas (SINTUFAL) e da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (ADUFAL), mesmo tendo ciência da nota publicada pela Reitoria, solicitaram juridicamente a prisão da Reitora, do Vice-Reitor e dos Diretores do Departamento de Administração de Pessoal (DAP) e do Procurador da UFAL alegando desobediência da gestão ao Mandado de Segurança.

Entendemos que a ação do SINTUFAL e da ADUFAL contribui para o fortalecimento de posições reacionárias que buscam criminalizar gestões das universidades públicas que defendem explicitamente os valores da democracia, da autonomia universitária, que lutam pela construção de uma universidade pública, gratuita e socialmente referenciada.

Deste modo, a Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP), a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP), o Conselho Federal de Psicologia (CFP), a Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP), a Associação Brasileira de Orientação Profissional (ABOP), a Coordenação Nacional de Estudantes de Psicologia (CONEP), a Federação Latino Americana de Análise Bionergética (FLAAB), a Sociedade Brasileira de História da Psicologia (SBHP), a Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE), a Federação Nacional dos Psicólogos (FENAPSI), a Associação Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento (ABPD), a Associação Brasileira de Psicologia Positiva (ABP+), a Associação Brasileira de Psicologia Jurídica (ABPJ), o Grupo de Trabalho História Social da Psicologia (GT ANPEPP), o Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (IBAP), a  Associação Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho (SBPOT), a Associação Brasileira de Psicologia do Tráfego (ABRAPSIT), a Associação Brasileira de Psicoterapia (ABRAP) em defesa de todas e todos que lutam pela democracia, em defesa dos direitos humanos, críticas a posições reacionárias, manifestam sua solidariedade e apoio à Gestão da UFAL.

16 de março de 2019.

Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP)
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)
Conselho Federal de Psicologia (CFP)
Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP)
Associação Brasileira de Orientação Profissional (ABOP)
Coordenação Nacional de Estudantes de Psicologia (CONEP)
Federação Latino Americana de Análise Bionergética (FLAAB)
Sociedade Brasileira de História da Psicologia (SBHP)
Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE)
Federação Nacional dos Psicólogos (FENAPSI)
Associação Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento (ABPD)
Associação Brasileira de Psicologia Positiva (ABP+)
Associação Brasileira de Psicologia Jurídica (ABPJ)
Grupo de Trabalho História Social da Psicologia (GT ANPEPP)
Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (IBAP)
Associação Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho (SBPOT)
Associação Brasileira de Psicologia do Tráfego (ABRAPSIT)
Associação Brasileira de Psicoterapia (ABRAP)

 

Manifesto em Defesa da Psicologia Brasileira

ABPP assina, junto com outras entidades e com profissionais o Manifesto em Defesa da Psicologia Brasileira.

Forte por sua ciência e profissão com ética, formação e entidades
A história da Psicologia como campo científico e profissional, no contexto brasileiro, latino-americano e global, tem a marca do compromisso com valores humanísticos e com a defesa de princípios e práticas éticos. Seus avanços no campo científico levaram ao fortalecimento de diversas subáreas organizadas em associações ou sociedades; a formação das(os) psicólogas(os) expandiu-se e interiorizou-se, ampliando a possibilidade de acesso a todas(os) que querem abraçar a Psicologia como profissão; a pós-graduação stricto sensu em Psicologia abrange a maioria das subáreas de conhecimento e cobre, praticamente, todo o território nacional. Por fim, avança como campo profissional em distintos espaços de trabalho.

Impulsionada pela Constituição Cidadã de 1988, a Psicologia fortaleceu-se como espaço de promoção de cidadania, contribuindo para políticas públicas, inclusão e participação social. É crescente a importância da Psicologia no mundo do Trabalho, corporativo e nas organizações, e nos sistemas de Assistência Social, Saúde (destacando-se a Reforma Psiquiátrica e saúde do trabalhador), Educação, Esporte, Justiça, Mobilidade Humana, Trânsito, Trabalho, Habitação, Meio Ambiente e Pessoas com deficiência. A Psicologia exercida nos consultórios não ficou alheia aos avanços, incorporando aos processos de compreensão dos sujeitos atendidos, avaliações e intervenções da realidade sociocultural, ampliando o potencial das práticas clínicas na promoção de direitos.

Reconhecemos que esse conjunto de avanços teve a participação de diversos segmentos dentro da profissão, que contribuíram para a construção de uma Psicologia laica, crítica, diversa, antirracista, democrática e com forte preocupação social.

Precisamos sustentar um exercício profissional compatível com as demandas e as necessidades da população. É necessário combater a precarização do trabalho da(o) psicóloga(o), especialmente daquelas(es) que iniciam a sua trajetória profissional. Precisamos de melhorias no processo de formação, hoje ocorrendo, na sua grande maioria, em faculdades isoladas e centros universitários. São, entre outros, desafios complexos a exigir unidade de todas as entidades científicas e profissionais.

Reconhecemos e prezamos o debate produtivo que garante a diversidade no campo científico e profissional da Psicologia. Nascem de diferenças epistemológicas, ou de ênfases postas em determinadas pautas, ou ainda, emergem de divergências mais profundas sobre o que se espera do papel da Psicologia e de suas entidades. Ao longo do tempo, no espaço democrático, movimentos ou agrupamentos distintos dentro da categoria, disputaram e assumiram, em diferentes momentos, a responsabilidade por conduzir suas entidades representativas.

A conjuntura política brasileira passou por ciclos de mudança nas últimas décadas e, de forma ainda mais intensa, no último ano, com a eleição para o Executivo e o Legislativo. O resultado eleitoral traz para o centro do debate político pautas que, na visão dos diferentes grupos envolvidos na construção deste documento, desafiam o conjunto de valores que devem embasar o papel social da Psicologia: descomprometem o Estado com a superação da desigualdade social, afastando-o dos princípios da nossa Constituição, em especial dos valores antirracistas, de liberdade religiosa implicada na nossa definição de estado laico.

Reconhecemos que a forma de tentarem se apropriar de nossa ciência, nossa ética e de nossa profissão é dominando as entidades profissionais e científicas, inviabilizando-as ou mesmo destruindo-as. A Psicologia ficaria exposta a grupos que querem capturá-la para que seja instrumento de legitimação das desigualdades e discriminações. São grupos que, sob o manto de um exercício profissional pretensamente científico e neutro, questionam e atacam a liberdade, a diversidade e as identidades, ao distorcer a noção de gênero e defender a “cura gay”, o retorno dos manicômios, a “escola sem partido”, o fim do SUS e do SUAS, entre outras pautas. Tamanho retrocesso afronta, tanto as conquistas nas políticas públicas, quanto ao direito individual, o que faz com que a Psicologia esteja ameaçada em qualquer espaço que ela aconteça.

Isso demanda mobilizar esforços analíticos, políticos e organizativos em defesa incondicional de nossa ciência e profissão.

Em síntese, este Manifesto é uma iniciativa para congregar aqueles e aquelas em defesa de uma Psicologia que:

● Contribua para a construção de uma sociedade democrática e justa, assegurando os direitos fundamentais a todas(os) as(os) cidadãs(ãos) e seu acesso a serviços psicológicos.

● Reconheça e respeite todas as formas de diferenças humanas e combata o preconceito, discriminação e racismo.

● Seja fundamentada no conhecimento científico, sem subordinar-se a sistemas de crenças;

● Respeite a liberdade de credo e as opções religiosas pessoais;

● Defenda um sistema educacional capaz de desenvolver competência técnica e consciência cidadã, ampliando seu compromisso social;

● Preze a pluralidade de referenciais epistemológicos, teóricos e metodológicos, como fator de crescimento e desenvolvimento do campo;

● Seja comprometida, no conjunto de suas entidades científicas e profissionais, em trabalhar para qualificação e valorização do exercício profissional, lutando por condições justas e dignas de trabalho;

● Seja solidária e empática frente a qualquer tipo de sofrimento humano.

Acesse aqui e assine também!

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Revista Psicologia Política – Carta de agradecimento a quem contribuiu com a Campanha

A Revista Psicologia Política (RPP), periódico científico da Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP) vem construindo um grande legado nos estudos políticos no Brasil. A revista já percorreu 18 anos de publicações científicas no campo interdisciplinar da Psicologia Política e debates oriundos dos campos de convergência entre a Psicologia e as Ciências Sociais, Políticas e Humanas.
O trabalho editorial da revista envolve organizar e articular uma ampla rede de pesquisadores/as, pareceristas e autores/as, além da revisão sistemática da política editorial. Ao longo da trajetória, a RPP contou com diferentes editores pesquisadores da Psicologia Política. Atualmente, a Comissão Editorial reúne pesquisadores/as que atuam em universidades públicas situadas em três regiões do Brasil: nordeste (UFAL), sudeste (UERJ) e sul (UFRGS), levando a cabo um trabalho colaborativo que busca regularizar as publicações; adequar o periódico para fins de internacionalização e, consequentemente, elevar a atual avaliação ao conceito máximo.
Nossa linha editorial não preza pela quantidade, mas pelo compromisso de ampliar os debates pertinentes ao campo da Psicologia Política. Desde sua origem, a RPP optou em não cobrar dos/as autores/as pelas publicações. Todos os artigos publicados são avaliados por um excelente quadro de pareceristas nacionais e internacionais.
Não obstante, em um momento político nacional de acirramento das políticas voltadas ao Ensino Superior público e ao fomento às políticas de incentivo à pesquisa, inovação, tecnologia e difusão científica, tivemos de realizar uma campanha de arrecadação de fundos que nos permitisse avançar com o trabalho editorial. Você foi um/a colaborador/a e, nesse momento nos cabe agradecer e prestar contas dos valores arrecadados e do trabalho realizado até a presente data, a fim de garantir a transparência e a credibilidade em nosso trabalho. Arrecadamos R$8320, 00 com a campanha. Gastamos, até o momento, R$6.400,38 com o pagamento de serviços de padronização APA, diagramação, conversão e diagramação XML Scielo referentes a números dos volumes 16 e 17 da RPP. O saldo restante, R$1919, 62 será utilizado para futuros pagamento de custos editoriais da revista.
A consolidação do periódico como fonte de pesquisa no campo interdisciplinar da Psicologia Política precisa de toda essa rede ativa, colaborativa e solidária. A Comissão Editorial agradece a cada um/a que acreditou no potencial de nosso trabalho e na seriedade de nossas publicações científicas.
Confira em nosso site as últimas publicações dos volumes 16 nº 35, nº 36, nº 37, v. 17 nº 38 e nº 39 e nº 40 e boa leitura! Em breve, publicaremos os números dos volumes 18 e 19 da RPP.

Editores:
Frederico Viana Machado – UFRGS – Brasil
Aline Reis Calvo Hernandez – UFRGS – Brasil
Frederico Alves Costa – UFAL – Brasil
Conceição Seixas – UERJ – Brasil
Adolfo Pizzinato – UFRGS – Brasil

A seguir, a lista dos colaboradores que tornaram possível o financiamento destes números:
Adolfo Pizzinato, Aloisio Ferreira Lima, Ana Maria Jacó, André Luiz Guerra Silva, Andrea Zanella, Bernardo ParodSvartman, Cândida Maria B. Dantas, Cristianne Maria Famer Rocha, Dagmar Meyer, Domenico Uhng, Eduardo Leal Cunha, Enock Silva, Fernando Lacerda Júnior, Fernando Santana de Paiva, Francisco Portugal, Frederico Alves Costa, Frederico Viana Machado, Hevelyn Rosa Machert da Conceição, Inês Helena Santana, Jáder Ferreira Leite, João Leite Ferreira, João Paulo Sales Macedo, Josiele Bené Lahorgue, Kátia Maheirie, Lázaro Batista da Fonseca, Leandro Amorim Rosa, LisianeBoer Possa, Lívia de Oliveira Borges, Luciana Kind, Lucilia Maria e Souza, Luiz Eduardo Jardim, Marcela de Andrade, Márcia PrezottiPalassi, Marco Antônio de Oliveira Branco, Marco Aurélio Máximo Prado, Maria Fernanda Cardoso Santos, Maria Juracy Toneli, Maria Lucia Boarini, Martin Jayo, Miriam Debieux, Patrícia Binkowski, Pedrinho Guareschi, Pedro Renan S. Oliveira, Rodrigo Cavalcanti Mendes de Carvalho Barbosa, Salvador Sandoval, Sônia Altoé, Tatiana Lionco

Revista Psicologia Política lança nova sessão: Painel de Movimentos Sociais

Esta seção é um espaço para ativistas e militantes de movimentos sociais e coletivos organizados divulgarem suas pautas e reflexões. A proposta sintoniza com uma perspectiva epistemológica que não hierarquiza saberes acadêmicos e não acadêmicos, científicos e não-científicos. Compreendemos que as práticas e os sistemas de ação construídos pelos coletivos constituem elaborações e saberes que ampliam nosso conhecimento sobre a realidade social. Esperamos reflexões calcadas em experiências individuais e/ou coletivas, que gerem artigos que sejam “dos” e/ou “com” os movimentos sociais. Serão respeitados os argumentos e posicionamentos políticos, independentemente das fundamentações empíricas e teóricas utilizadas, desde que encontrem-se em conformidade com o foco e escopo da RPP. Os textos devem contribuir para refletirmos sobre a democratização da sociedade e a ampliação dos círculos de reciprocidade entre os indivíduos e grupos. Esta seção permite a elaboração criativa que pode endereçar à universidade pautas, demandas e críticas dos movimentos sociais. Além disto, este é um espaço para os coletivos organizados divulgarem suas ações, apresentando retrospectivas históricas, pautas, agendas de luta etc. em interpretações engajadas sobre os diversos assuntos que afetam a sociedade. Serão aceitas co-autorias entre ativistas e pesquisadores, mas a vinculação principal de pelo menos um dos autores deve ser não-acadêmica e o artigo deve se basear nas experiências singulares dos coletivos organizados e suas frentes de luta de política. Como a prática de publicar em periódicos acadêmicos nem sempre é do interesse dos atores políticos, contamos com a ajuda dos pares para convidarem e incentivarem estas produções. O formato do manuscrito deverá seguir as mesmas diretrizes da revista para publicação de artigos, com exceção, de que, para esta seção, os arquivos não podem conter mais de 15 páginas. Poderão ser incluídas até cinco (05) fotos ou imagens por artigo (deverão estar em alta resolução – 300 dpi). Estes manuscritos não serão avaliados da mesma forma que as demais seções da Revista Psicologia Política. Serão designadas/os “interlocutoras/es” que terão como objetivo ajudar as/os autoras/es a acertar imprecisões de escrita, questões ortográficas e a legibilidade. As/os interlocutoras/es serão pesquisadoras/es de referência em algum tema relacionado e não serão anônimos, mas estabelecerão um diálogo com as/os autoras/es a fim de colaborar no aprimoramento do texto.

Submissões pelo sistema da revista:
http://submission-pepsic.scielo.br/index.php/rpp/about/submissions

LITERATURA E SAÚDE PÚBLICA: A NARRATIVA ENTRE A INTIMIDADE, O CUIDADO E A POLÍTICA

LAPPACS_LOGOA Editora Rede UNIDA e o Laboratório de Políticas Públicas, Ações Coletivas e Saúde, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (LAPPACS/UFRGS), tornam pública a chamada de textos para o livro “Literatura e saúde pública: a narrativa entre a intimidade, o cuidado e a política”, que será publicado na Série Arte Popular, Cultura e Poesia. O livro será composto por textos ficcionais, contos literários e outras formas de escrita criativa sobre a temática das “Políticas Públicas de Saúde”, ou seja, narrativas ficcionais que dialoguem com o mundo das políticas públicas de saúde. O livro será organizado pelos professores Dr. João Guilherme Dayrell e Dr. Frederico Viana Machado.

Esta chamada se destina, portanto, a todas as pessoas interessadas na escrita criativa e em se expressar artisticamente através de contos que dialoguem com o mundo das políticas públicas de saúde. Por isso, convidamos autores e demais interessados a submeterem textos ficcionais que construam suas tramas tomando como cenário tais políticas.

Ciência e literatura: encontros criativos

Como pode a literatura e a política servirem de inspiração mútua nos dias de hoje? O que o tensionamento entre ficção e realidade pode nos fazer apreender sobre as políticas públicas de saúde? A obra Sonhos Tropicais, de Moacyr Scliar, é uma referência para este projeto, ao construir um romance ambientado nas políticas públicas de saúde do início do século passado, tratando com sensibilidade os elementos do sanitarismo campanhista e articulando desde as tramas políticas arquitetadas pelas elites econômicas até a vida cotidiana da população mais pobre.

Porém, lembramos que o aparentemente inusitado elo entre Literatura e Saúde nos remonta ao século XIX, quando o escritor francês Émile Zola se inspirava em um tratado de Medicina para construir o importante manifesto do Realismo-Naturalismo. A ideia era pedir que a literatura tirasse uma fotografia da corrupção da natureza e do corpo biológico do homem com suas patologias que levam aos maus hábitos para, então, gerar um corpo social saudável: da mesma forma como fazia a ciência médica. Literatura e Medicina, no caso, complementando-se para normatizar o comportamento social e o uso dos corpos.

Ao contrário, sobretudo a partir do século XX, a arte passa a se confrontar com a norma e apresentar, por meio de formas variadas, condutas alternativas; assim como as ciências da saúde, especialmente após a experiência dos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, consideram a importância da informação para prover segurança na prática dos diferentes modos de usufruto do corpo.

Assim, convocamos a criatividade de todas e todos que gostariam de refletir sobre a realidade das políticas públicas no Brasil, com narrativas que tensionem a realidade e a ficção. Estas narrativas podem envolver variados períodos históricos, variadas políticas públicas, categorias sociais diversas, diferentes enfermidades, peregrinações nos sistemas de saúde, burocracias que desafiam a vida, corpos doentes ou adoecidos, vulneráveis ou vulnerabilizados, enfrentando kafkianos funis burocráticos do Estado, ou criando formas alternativas de vida, desbravando a selvageria do capitalismo, desvelando nuances do sistema sensíveis às fragilidades do corpo e da alma.

O biográfico e o histórico poderão, então, ser conjugados com a invenção, assim como os fatos inverossímeis, fantásticos, insólitos ou mitológicos podem servir para matizar o contato do corpo com a norma, o Estado e as políticas públicas da saúde. E com isto mostrar antigos problemas como, por exemplo, o higienismo, ao qual Machado de Assis já ironizava com a personagem coxa Eugênia, em Memórias Póstumas de Brás Cubas; apontar futuras soluções, além de outros lugares ainda desconhecidos, que somente a escrita e a imaginação, ao acabar com o elo desgastado ao qual as palavras submete as coisas no uso cotidiano, podem dar lugar.

Maiores detalhes: https://www.ufrgs.br/lappacs/2019/01/09/literatura-e-saude-publica-a-narrativa-entre-a-intimidade-o-cuidado-e-a-politica/

Nota da Associação Brasileira de Psicologia Política sobre os 30 primeiros dias do governo Bolsonaro

A eleição de Jair Bolsonaro em 2018 criou uma situação extremamente desfavorável para aqueles e aquelas que lutam por democracia, contra a exploração e as opressões. Foi uma vitória que ocorreu após um golpe. Foi uma vitória que ocorreu após o judiciário atuar como cabo eleitoral. Foi uma vitória baseada em fake news financiadas em um esquema que está sendo investigado por ter utilizado pelo menos 12 milhões de reais para movimentar redes sociais. Foi uma vitória em um contexto marcado por agressões contra – e até mesmo assassinatos – mulheres, negras/os, LGBTs pelo simples fato de manifestarem suas opiniões políticas.

Aliado a este cenário, desde que o presidente Jair Bolsonaro tomou posse, vimos inúmeros retrocessos no avanço do desmonte de direitos e ataques contra as pessoas que mais sofrem com uma sociedade machista, patriarcal, heteronormativa, racista e capitalista. Não há uma dissociação entre os desmontes dos direitos LGBTs e o assassinato brutal de uma travesti que teve seu coração arrancado em Campinas/SP. Não há uma dissociação entre as declarações fundamentalistas e machistas de dirigentes do governo e o assassinato de mais de 100 mulheres neste poucos dias de 2019. Não há uma dissociação entre a sede incontrolável por lucro de apoiadoras/es do novo governo e a tragédia de Brumadinho, o agravamento da violência urbana ou o adoecimento físico e psíquico da classe trabalhadora.

O governo de Jair Bolsonaro representa uma mudança na situação social do Brasil. Trata-se de um governo formado com o apoio do capital financeiro e da bancada BBB (Bala, Boi e Bíblia), caracterizado pela presença ativa e significativa de militares em setores estratégicos do país. Ademais, há uma investigação que aponta a proximidade da família do novo presidente com dirigentes de uma milícia suspeita de ter assassinado a vereadora carioca Marielle Franco, isto é, uma mulher, negra, bissexual, da favela e socialista. Portanto, uma pessoa que expressa todos os grupos sociais que provavelmente serão os principais alvos de ataque do novo governo e de suas/seus apoiadoras/es.

A curta história da Associação Brasileira de Psicologia Política é marcada por um claro compromisso com as lutas das mulheres, de negras e negros, dos LGBTs, dos povos periféricos, de diversos movimentos sociais que lutam em defesa de direitos humanos, contra relações de dominação, por democracia e emancipação humana. A atual diretoria entende que tal compromisso, hoje, se expressa em um claro posicionamento de combate ao conjunto de retrocessos sociais, políticos e econômicos defendidos pelo novo presidente e suas/seus apoiadoras/es. Por isso, precisamos, mais do que nunca, participar da resistência contra a extrema-direita, lutando por um país igualitário, justo e que afirme nossas liberdades democráticas.

NOTA SOBRE AS DCNs DA PSICOLOGIA

A Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP) apoia a Nota da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia sobre a Proposta de Reformulação das Atuais Diretrizes Nacionais Curriculares da Psicologia. A ABPP ratifica o posicionamento da ANPEPP frente a necessidade de ampliar a interlocução acerca do debate de revisão e atualização das DCNs, com a participação de outras entidades e instituições formadoras em Psicologia, de forma mais processual, dialogada e sistematizada. Confira a Nota da ANPEPP aqui.