Manifestos e Moções

NOTA DE REPÚDIO DE ENTIDADES DA PSICOLOGIA À COMEMORAÇÃO DO GOLPE CIVIL-MILITAR DE 1964

 Ditadura Nunca Mais! Golpe Civil-Militar de 1964: nada a comemorar e muito a se lembrar 

As Entidades da Psicologia abaixo-assinadas – no contexto atual de fortalecimento de pautas reacionárias, de elogios por parte do presidente da República a torturadores e a ditadores, de tentativas de revisionismo histórico pelo governo representado por ele em relação a acontecimentos violentos, antidemocráticos e desumanos – manifestam o repúdio a qualquer comemoração relativa ao Golpe Civil-Militar de 1964 ocorrido no Brasil.

É preocupante que o representante eleito democraticamente para a Presidência da República determine a comemoração em unidades militares de um período da história brasileira reconhecidamente marcado por um Golpe ao presidente também eleito democraticamente João Goulart, por violações de direitos humanos – tortura, censura, prisões arbitrárias, exílio –, pelo fechamento do Congresso Nacional, pela ausência de eleições diretas para Presidente de 1964 a 1989. A justificativa do porta-voz da Presidência para a determinação do presidente de que para ele o Golpe não foi Golpe, mas uma ação para colocar o país nos “rumos” coloca-nos a pergunta sobre os compromissos do governo atual com a democracia, tão enfraquecida em nosso país desde 2016.

Infelizmente, a posição do atual presidente da República, apesar de absurda a qualquer pessoa que se identifique com os princípios democráticos de igualdade e liberdade, não é uma surpresa. Basta lembrarmos sua declaração em homenagem ao torturador da ditadura militar brasileira Carlos Alberto Brilhante Ustra no processo de Golpe à Presidenta Dilma Rousseff, em 2016, exaltando com alegria ter sido ele o pavor de Dilma quando esta lutava contra a ditadura. Em consonância com estas posturas, fundamental também considerar os elogios do presidente ao ditador paraguaio Alfredo Stroessner e ao ditador chileno Augusto Pinochet. O que acarretou, inclusive, em os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado chilenos não terem comparecido ao almoço oferecido a Bolsonaro em sua visita oficial ao Chile neste mês.

Infelizmente, a Advocacia Geral da União (AGU) conseguiu derrubar a decisão da juíza federal Ivani Silva da Luz que proibia a comemoração do Golpe Civil-Militar de 1964. Conquista jurídica da AGU que – juntamente com informações da imprensa sobre a negação de Gilmar Mendes em dar seguimento no Superior Tribunal Federal a um mandado de segurança que solicitava a suspensão de atos em comemoração ao Golpe de 1964, retomando uma fala de 2018 do atual presidente do STF, Antônio Dias Toffoli, que não se tratou nem de Golpe nem de Revolução, mas de Movimento de 1964 – coloca-nos em alerta, mais uma vez, sobre a capacidade das instituições brasileiras em conter projetos golpistas e autoritários.

As Entidades da Psicologia colocam-se ao lado das e dos que foram exilados, que morreram e foram torturados nos porões da ditadura civil-militar brasileira por lutarem contra o autoritarismo de estado; dos parentes destas pessoas que sofreram e sofrem até hoje diante da ausência de seus entes; daquelas e daqueles que continuam a lutar pela afirmação de uma história que, ao invés de apagar as violações aos direitos humanos, explicite-as no combate a estes tempos tristes que estamos vivendo. Chegou um momento em que é ainda mais importante discutirmos nas escolas, universidades, praças públicas sobre os terrores das ditaduras de antes e dos autoritarismos de hoje. DITADURA NUNCA MAIS!

31 de março de 2019.

Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP)

Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP)

Associação Brasileira de Orientação Profissional (ABOP)

Associação Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento (ABPD)

Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE)

Associação Brasileira de Psicologia Jurídica (ABPJ)

Associação Brasileira de Psicologia Positiva (ABP+)

Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO)

Coordenação Nacional de Estudantes de Psicologia (CONEP)

Federação Latino Americana de Análise Bionergética (FLAAB)

Federação Nacional dos Psicólogos (FENAPSI)

Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (IBAP)

Instituto Brasileiro de Neuropsicologia e Comportamento (IBNeC)

Sociedade Brasileira de História da Psicologia (SBHP)

Sociedade Brasileira de Psicologia e Acupuntura (SOBRAPA)

 

NOTA EM APOIO À GESTÃO DA UFAL, PELA AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA E PELA DEMOCRACIA

A Reitoria da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) recebeu em 13 de março de 2019 um Mandado de Segurança Coletivo solicitando o reestabelecimento de rubricas salariais que foram retiradas por decisão anterior do TCU. A Reitoria logo após o recebimento do Mandado de Segurança, conforme consta em nota publicada no site da UFAL, encaminhou o Mandado à “Procuradoria Federal (PF) da instituição para providenciar o Parecer de Força Executória junto à Advocacia-Geral da União (AGU)”.

Apesar da Gestão atuar para o cumprimento da decisão e ter buscado evitar anteriormente a retirada das rubricas dos servidores, as diretorias do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Alagoas (SINTUFAL) e da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (ADUFAL), mesmo tendo ciência da nota publicada pela Reitoria, solicitaram juridicamente a prisão da Reitora, do Vice-Reitor e dos Diretores do Departamento de Administração de Pessoal (DAP) e do Procurador da UFAL alegando desobediência da gestão ao Mandado de Segurança.

Entendemos que a ação do SINTUFAL e da ADUFAL contribui para o fortalecimento de posições reacionárias que buscam criminalizar gestões das universidades públicas que defendem explicitamente os valores da democracia, da autonomia universitária, que lutam pela construção de uma universidade pública, gratuita e socialmente referenciada.

Deste modo, a Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP), a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP), o Conselho Federal de Psicologia (CFP), a Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP), a Associação Brasileira de Orientação Profissional (ABOP), a Coordenação Nacional de Estudantes de Psicologia (CONEP), a Federação Latino Americana de Análise Bionergética (FLAAB), a Sociedade Brasileira de História da Psicologia (SBHP), a Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE), a Federação Nacional dos Psicólogos (FENAPSI), a Associação Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento (ABPD), a Associação Brasileira de Psicologia Positiva (ABP+), a Associação Brasileira de Psicologia Jurídica (ABPJ), o Grupo de Trabalho História Social da Psicologia (GT ANPEPP), o Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (IBAP), a  Associação Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho (SBPOT), a Associação Brasileira de Psicologia do Tráfego (ABRAPSIT), a Associação Brasileira de Psicoterapia (ABRAP) em defesa de todas e todos que lutam pela democracia, em defesa dos direitos humanos, críticas a posições reacionárias, manifestam sua solidariedade e apoio à Gestão da UFAL.

16 de março de 2019.

Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP)
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)
Conselho Federal de Psicologia (CFP)
Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP)
Associação Brasileira de Orientação Profissional (ABOP)
Coordenação Nacional de Estudantes de Psicologia (CONEP)
Federação Latino Americana de Análise Bionergética (FLAAB)
Sociedade Brasileira de História da Psicologia (SBHP)
Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE)
Federação Nacional dos Psicólogos (FENAPSI)
Associação Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento (ABPD)
Associação Brasileira de Psicologia Positiva (ABP+)
Associação Brasileira de Psicologia Jurídica (ABPJ)
Grupo de Trabalho História Social da Psicologia (GT ANPEPP)
Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (IBAP)
Associação Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho (SBPOT)
Associação Brasileira de Psicologia do Tráfego (ABRAPSIT)
Associação Brasileira de Psicoterapia (ABRAP)

 

Manifesto em Defesa da Psicologia Brasileira

ABPP assina, junto com outras entidades e com profissionais o Manifesto em Defesa da Psicologia Brasileira.

Forte por sua ciência e profissão com ética, formação e entidades
A história da Psicologia como campo científico e profissional, no contexto brasileiro, latino-americano e global, tem a marca do compromisso com valores humanísticos e com a defesa de princípios e práticas éticos. Seus avanços no campo científico levaram ao fortalecimento de diversas subáreas organizadas em associações ou sociedades; a formação das(os) psicólogas(os) expandiu-se e interiorizou-se, ampliando a possibilidade de acesso a todas(os) que querem abraçar a Psicologia como profissão; a pós-graduação stricto sensu em Psicologia abrange a maioria das subáreas de conhecimento e cobre, praticamente, todo o território nacional. Por fim, avança como campo profissional em distintos espaços de trabalho.

Impulsionada pela Constituição Cidadã de 1988, a Psicologia fortaleceu-se como espaço de promoção de cidadania, contribuindo para políticas públicas, inclusão e participação social. É crescente a importância da Psicologia no mundo do Trabalho, corporativo e nas organizações, e nos sistemas de Assistência Social, Saúde (destacando-se a Reforma Psiquiátrica e saúde do trabalhador), Educação, Esporte, Justiça, Mobilidade Humana, Trânsito, Trabalho, Habitação, Meio Ambiente e Pessoas com deficiência. A Psicologia exercida nos consultórios não ficou alheia aos avanços, incorporando aos processos de compreensão dos sujeitos atendidos, avaliações e intervenções da realidade sociocultural, ampliando o potencial das práticas clínicas na promoção de direitos.

Reconhecemos que esse conjunto de avanços teve a participação de diversos segmentos dentro da profissão, que contribuíram para a construção de uma Psicologia laica, crítica, diversa, antirracista, democrática e com forte preocupação social.

Precisamos sustentar um exercício profissional compatível com as demandas e as necessidades da população. É necessário combater a precarização do trabalho da(o) psicóloga(o), especialmente daquelas(es) que iniciam a sua trajetória profissional. Precisamos de melhorias no processo de formação, hoje ocorrendo, na sua grande maioria, em faculdades isoladas e centros universitários. São, entre outros, desafios complexos a exigir unidade de todas as entidades científicas e profissionais.

Reconhecemos e prezamos o debate produtivo que garante a diversidade no campo científico e profissional da Psicologia. Nascem de diferenças epistemológicas, ou de ênfases postas em determinadas pautas, ou ainda, emergem de divergências mais profundas sobre o que se espera do papel da Psicologia e de suas entidades. Ao longo do tempo, no espaço democrático, movimentos ou agrupamentos distintos dentro da categoria, disputaram e assumiram, em diferentes momentos, a responsabilidade por conduzir suas entidades representativas.

A conjuntura política brasileira passou por ciclos de mudança nas últimas décadas e, de forma ainda mais intensa, no último ano, com a eleição para o Executivo e o Legislativo. O resultado eleitoral traz para o centro do debate político pautas que, na visão dos diferentes grupos envolvidos na construção deste documento, desafiam o conjunto de valores que devem embasar o papel social da Psicologia: descomprometem o Estado com a superação da desigualdade social, afastando-o dos princípios da nossa Constituição, em especial dos valores antirracistas, de liberdade religiosa implicada na nossa definição de estado laico.

Reconhecemos que a forma de tentarem se apropriar de nossa ciência, nossa ética e de nossa profissão é dominando as entidades profissionais e científicas, inviabilizando-as ou mesmo destruindo-as. A Psicologia ficaria exposta a grupos que querem capturá-la para que seja instrumento de legitimação das desigualdades e discriminações. São grupos que, sob o manto de um exercício profissional pretensamente científico e neutro, questionam e atacam a liberdade, a diversidade e as identidades, ao distorcer a noção de gênero e defender a “cura gay”, o retorno dos manicômios, a “escola sem partido”, o fim do SUS e do SUAS, entre outras pautas. Tamanho retrocesso afronta, tanto as conquistas nas políticas públicas, quanto ao direito individual, o que faz com que a Psicologia esteja ameaçada em qualquer espaço que ela aconteça.

Isso demanda mobilizar esforços analíticos, políticos e organizativos em defesa incondicional de nossa ciência e profissão.

Em síntese, este Manifesto é uma iniciativa para congregar aqueles e aquelas em defesa de uma Psicologia que:

● Contribua para a construção de uma sociedade democrática e justa, assegurando os direitos fundamentais a todas(os) as(os) cidadãs(ãos) e seu acesso a serviços psicológicos.

● Reconheça e respeite todas as formas de diferenças humanas e combata o preconceito, discriminação e racismo.

● Seja fundamentada no conhecimento científico, sem subordinar-se a sistemas de crenças;

● Respeite a liberdade de credo e as opções religiosas pessoais;

● Defenda um sistema educacional capaz de desenvolver competência técnica e consciência cidadã, ampliando seu compromisso social;

● Preze a pluralidade de referenciais epistemológicos, teóricos e metodológicos, como fator de crescimento e desenvolvimento do campo;

● Seja comprometida, no conjunto de suas entidades científicas e profissionais, em trabalhar para qualificação e valorização do exercício profissional, lutando por condições justas e dignas de trabalho;

● Seja solidária e empática frente a qualquer tipo de sofrimento humano.

Acesse aqui e assine também!

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Revista Psicologia Política – Carta de agradecimento a quem contribuiu com a Campanha

A Revista Psicologia Política (RPP), periódico científico da Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP) vem construindo um grande legado nos estudos políticos no Brasil. A revista já percorreu 18 anos de publicações científicas no campo interdisciplinar da Psicologia Política e debates oriundos dos campos de convergência entre a Psicologia e as Ciências Sociais, Políticas e Humanas.
O trabalho editorial da revista envolve organizar e articular uma ampla rede de pesquisadores/as, pareceristas e autores/as, além da revisão sistemática da política editorial. Ao longo da trajetória, a RPP contou com diferentes editores pesquisadores da Psicologia Política. Atualmente, a Comissão Editorial reúne pesquisadores/as que atuam em universidades públicas situadas em três regiões do Brasil: nordeste (UFAL), sudeste (UERJ) e sul (UFRGS), levando a cabo um trabalho colaborativo que busca regularizar as publicações; adequar o periódico para fins de internacionalização e, consequentemente, elevar a atual avaliação ao conceito máximo.
Nossa linha editorial não preza pela quantidade, mas pelo compromisso de ampliar os debates pertinentes ao campo da Psicologia Política. Desde sua origem, a RPP optou em não cobrar dos/as autores/as pelas publicações. Todos os artigos publicados são avaliados por um excelente quadro de pareceristas nacionais e internacionais.
Não obstante, em um momento político nacional de acirramento das políticas voltadas ao Ensino Superior público e ao fomento às políticas de incentivo à pesquisa, inovação, tecnologia e difusão científica, tivemos de realizar uma campanha de arrecadação de fundos que nos permitisse avançar com o trabalho editorial. Você foi um/a colaborador/a e, nesse momento nos cabe agradecer e prestar contas dos valores arrecadados e do trabalho realizado até a presente data, a fim de garantir a transparência e a credibilidade em nosso trabalho. Arrecadamos R$8320, 00 com a campanha. Gastamos, até o momento, R$6.400,38 com o pagamento de serviços de padronização APA, diagramação, conversão e diagramação XML Scielo referentes a números dos volumes 16 e 17 da RPP. O saldo restante, R$1919, 62 será utilizado para futuros pagamento de custos editoriais da revista.
A consolidação do periódico como fonte de pesquisa no campo interdisciplinar da Psicologia Política precisa de toda essa rede ativa, colaborativa e solidária. A Comissão Editorial agradece a cada um/a que acreditou no potencial de nosso trabalho e na seriedade de nossas publicações científicas.
Confira em nosso site as últimas publicações dos volumes 16 nº 35, nº 36, nº 37, v. 17 nº 38 e nº 39 e nº 40 e boa leitura! Em breve, publicaremos os números dos volumes 18 e 19 da RPP.

Editores:
Frederico Viana Machado – UFRGS – Brasil
Aline Reis Calvo Hernandez – UFRGS – Brasil
Frederico Alves Costa – UFAL – Brasil
Conceição Seixas – UERJ – Brasil
Adolfo Pizzinato – UFRGS – Brasil

A seguir, a lista dos colaboradores que tornaram possível o financiamento destes números:
Adolfo Pizzinato, Aloisio Ferreira Lima, Ana Maria Jacó, André Luiz Guerra Silva, Andrea Zanella, Bernardo ParodSvartman, Cândida Maria B. Dantas, Cristianne Maria Famer Rocha, Dagmar Meyer, Domenico Uhng, Eduardo Leal Cunha, Enock Silva, Fernando Lacerda Júnior, Fernando Santana de Paiva, Francisco Portugal, Frederico Alves Costa, Frederico Viana Machado, Hevelyn Rosa Machert da Conceição, Inês Helena Santana, Jáder Ferreira Leite, João Leite Ferreira, João Paulo Sales Macedo, Josiele Bené Lahorgue, Kátia Maheirie, Lázaro Batista da Fonseca, Leandro Amorim Rosa, LisianeBoer Possa, Lívia de Oliveira Borges, Luciana Kind, Lucilia Maria e Souza, Luiz Eduardo Jardim, Marcela de Andrade, Márcia PrezottiPalassi, Marco Antônio de Oliveira Branco, Marco Aurélio Máximo Prado, Maria Fernanda Cardoso Santos, Maria Juracy Toneli, Maria Lucia Boarini, Martin Jayo, Miriam Debieux, Patrícia Binkowski, Pedrinho Guareschi, Pedro Renan S. Oliveira, Rodrigo Cavalcanti Mendes de Carvalho Barbosa, Salvador Sandoval, Sônia Altoé, Tatiana Lionco

Revista Psicologia Política lança nova sessão: Painel de Movimentos Sociais

Esta seção é um espaço para ativistas e militantes de movimentos sociais e coletivos organizados divulgarem suas pautas e reflexões. A proposta sintoniza com uma perspectiva epistemológica que não hierarquiza saberes acadêmicos e não acadêmicos, científicos e não-científicos. Compreendemos que as práticas e os sistemas de ação construídos pelos coletivos constituem elaborações e saberes que ampliam nosso conhecimento sobre a realidade social. Esperamos reflexões calcadas em experiências individuais e/ou coletivas, que gerem artigos que sejam “dos” e/ou “com” os movimentos sociais. Serão respeitados os argumentos e posicionamentos políticos, independentemente das fundamentações empíricas e teóricas utilizadas, desde que encontrem-se em conformidade com o foco e escopo da RPP. Os textos devem contribuir para refletirmos sobre a democratização da sociedade e a ampliação dos círculos de reciprocidade entre os indivíduos e grupos. Esta seção permite a elaboração criativa que pode endereçar à universidade pautas, demandas e críticas dos movimentos sociais. Além disto, este é um espaço para os coletivos organizados divulgarem suas ações, apresentando retrospectivas históricas, pautas, agendas de luta etc. em interpretações engajadas sobre os diversos assuntos que afetam a sociedade. Serão aceitas co-autorias entre ativistas e pesquisadores, mas a vinculação principal de pelo menos um dos autores deve ser não-acadêmica e o artigo deve se basear nas experiências singulares dos coletivos organizados e suas frentes de luta de política. Como a prática de publicar em periódicos acadêmicos nem sempre é do interesse dos atores políticos, contamos com a ajuda dos pares para convidarem e incentivarem estas produções. O formato do manuscrito deverá seguir as mesmas diretrizes da revista para publicação de artigos, com exceção, de que, para esta seção, os arquivos não podem conter mais de 15 páginas. Poderão ser incluídas até cinco (05) fotos ou imagens por artigo (deverão estar em alta resolução – 300 dpi). Estes manuscritos não serão avaliados da mesma forma que as demais seções da Revista Psicologia Política. Serão designadas/os “interlocutoras/es” que terão como objetivo ajudar as/os autoras/es a acertar imprecisões de escrita, questões ortográficas e a legibilidade. As/os interlocutoras/es serão pesquisadoras/es de referência em algum tema relacionado e não serão anônimos, mas estabelecerão um diálogo com as/os autoras/es a fim de colaborar no aprimoramento do texto.

Submissões pelo sistema da revista:
http://submission-pepsic.scielo.br/index.php/rpp/about/submissions

LITERATURA E SAÚDE PÚBLICA: A NARRATIVA ENTRE A INTIMIDADE, O CUIDADO E A POLÍTICA

LAPPACS_LOGOA Editora Rede UNIDA e o Laboratório de Políticas Públicas, Ações Coletivas e Saúde, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (LAPPACS/UFRGS), tornam pública a chamada de textos para o livro “Literatura e saúde pública: a narrativa entre a intimidade, o cuidado e a política”, que será publicado na Série Arte Popular, Cultura e Poesia. O livro será composto por textos ficcionais, contos literários e outras formas de escrita criativa sobre a temática das “Políticas Públicas de Saúde”, ou seja, narrativas ficcionais que dialoguem com o mundo das políticas públicas de saúde. O livro será organizado pelos professores Dr. João Guilherme Dayrell e Dr. Frederico Viana Machado.

Esta chamada se destina, portanto, a todas as pessoas interessadas na escrita criativa e em se expressar artisticamente através de contos que dialoguem com o mundo das políticas públicas de saúde. Por isso, convidamos autores e demais interessados a submeterem textos ficcionais que construam suas tramas tomando como cenário tais políticas.

Ciência e literatura: encontros criativos

Como pode a literatura e a política servirem de inspiração mútua nos dias de hoje? O que o tensionamento entre ficção e realidade pode nos fazer apreender sobre as políticas públicas de saúde? A obra Sonhos Tropicais, de Moacyr Scliar, é uma referência para este projeto, ao construir um romance ambientado nas políticas públicas de saúde do início do século passado, tratando com sensibilidade os elementos do sanitarismo campanhista e articulando desde as tramas políticas arquitetadas pelas elites econômicas até a vida cotidiana da população mais pobre.

Porém, lembramos que o aparentemente inusitado elo entre Literatura e Saúde nos remonta ao século XIX, quando o escritor francês Émile Zola se inspirava em um tratado de Medicina para construir o importante manifesto do Realismo-Naturalismo. A ideia era pedir que a literatura tirasse uma fotografia da corrupção da natureza e do corpo biológico do homem com suas patologias que levam aos maus hábitos para, então, gerar um corpo social saudável: da mesma forma como fazia a ciência médica. Literatura e Medicina, no caso, complementando-se para normatizar o comportamento social e o uso dos corpos.

Ao contrário, sobretudo a partir do século XX, a arte passa a se confrontar com a norma e apresentar, por meio de formas variadas, condutas alternativas; assim como as ciências da saúde, especialmente após a experiência dos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, consideram a importância da informação para prover segurança na prática dos diferentes modos de usufruto do corpo.

Assim, convocamos a criatividade de todas e todos que gostariam de refletir sobre a realidade das políticas públicas no Brasil, com narrativas que tensionem a realidade e a ficção. Estas narrativas podem envolver variados períodos históricos, variadas políticas públicas, categorias sociais diversas, diferentes enfermidades, peregrinações nos sistemas de saúde, burocracias que desafiam a vida, corpos doentes ou adoecidos, vulneráveis ou vulnerabilizados, enfrentando kafkianos funis burocráticos do Estado, ou criando formas alternativas de vida, desbravando a selvageria do capitalismo, desvelando nuances do sistema sensíveis às fragilidades do corpo e da alma.

O biográfico e o histórico poderão, então, ser conjugados com a invenção, assim como os fatos inverossímeis, fantásticos, insólitos ou mitológicos podem servir para matizar o contato do corpo com a norma, o Estado e as políticas públicas da saúde. E com isto mostrar antigos problemas como, por exemplo, o higienismo, ao qual Machado de Assis já ironizava com a personagem coxa Eugênia, em Memórias Póstumas de Brás Cubas; apontar futuras soluções, além de outros lugares ainda desconhecidos, que somente a escrita e a imaginação, ao acabar com o elo desgastado ao qual as palavras submete as coisas no uso cotidiano, podem dar lugar.

Maiores detalhes: https://www.ufrgs.br/lappacs/2019/01/09/literatura-e-saude-publica-a-narrativa-entre-a-intimidade-o-cuidado-e-a-politica/

Nota da Associação Brasileira de Psicologia Política sobre os 30 primeiros dias do governo Bolsonaro

A eleição de Jair Bolsonaro em 2018 criou uma situação extremamente desfavorável para aqueles e aquelas que lutam por democracia, contra a exploração e as opressões. Foi uma vitória que ocorreu após um golpe. Foi uma vitória que ocorreu após o judiciário atuar como cabo eleitoral. Foi uma vitória baseada em fake news financiadas em um esquema que está sendo investigado por ter utilizado pelo menos 12 milhões de reais para movimentar redes sociais. Foi uma vitória em um contexto marcado por agressões contra – e até mesmo assassinatos – mulheres, negras/os, LGBTs pelo simples fato de manifestarem suas opiniões políticas.

Aliado a este cenário, desde que o presidente Jair Bolsonaro tomou posse, vimos inúmeros retrocessos no avanço do desmonte de direitos e ataques contra as pessoas que mais sofrem com uma sociedade machista, patriarcal, heteronormativa, racista e capitalista. Não há uma dissociação entre os desmontes dos direitos LGBTs e o assassinato brutal de uma travesti que teve seu coração arrancado em Campinas/SP. Não há uma dissociação entre as declarações fundamentalistas e machistas de dirigentes do governo e o assassinato de mais de 100 mulheres neste poucos dias de 2019. Não há uma dissociação entre a sede incontrolável por lucro de apoiadoras/es do novo governo e a tragédia de Brumadinho, o agravamento da violência urbana ou o adoecimento físico e psíquico da classe trabalhadora.

O governo de Jair Bolsonaro representa uma mudança na situação social do Brasil. Trata-se de um governo formado com o apoio do capital financeiro e da bancada BBB (Bala, Boi e Bíblia), caracterizado pela presença ativa e significativa de militares em setores estratégicos do país. Ademais, há uma investigação que aponta a proximidade da família do novo presidente com dirigentes de uma milícia suspeita de ter assassinado a vereadora carioca Marielle Franco, isto é, uma mulher, negra, bissexual, da favela e socialista. Portanto, uma pessoa que expressa todos os grupos sociais que provavelmente serão os principais alvos de ataque do novo governo e de suas/seus apoiadoras/es.

A curta história da Associação Brasileira de Psicologia Política é marcada por um claro compromisso com as lutas das mulheres, de negras e negros, dos LGBTs, dos povos periféricos, de diversos movimentos sociais que lutam em defesa de direitos humanos, contra relações de dominação, por democracia e emancipação humana. A atual diretoria entende que tal compromisso, hoje, se expressa em um claro posicionamento de combate ao conjunto de retrocessos sociais, políticos e econômicos defendidos pelo novo presidente e suas/seus apoiadoras/es. Por isso, precisamos, mais do que nunca, participar da resistência contra a extrema-direita, lutando por um país igualitário, justo e que afirme nossas liberdades democráticas.

NOTA SOBRE AS DCNs DA PSICOLOGIA

A Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP) apoia a Nota da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia sobre a Proposta de Reformulação das Atuais Diretrizes Nacionais Curriculares da Psicologia. A ABPP ratifica o posicionamento da ANPEPP frente a necessidade de ampliar a interlocução acerca do debate de revisão e atualização das DCNs, com a participação de outras entidades e instituições formadoras em Psicologia, de forma mais processual, dialogada e sistematizada. Confira a Nota da ANPEPP aqui.

Participação da ABPP em eventos científicos

No ano de 2018 estivemos em diversos eventos acadêmicos e científicos relacionados direta e indiretamente à Psicologia Política. Participamos ativamente de diferentes eventos no Brasil, América Latina e América do Norte.

Inicialmente, o Colóquio de Psicologia Política – O Clima Político para as eleições, ocorrido em São Paulo; tivemos um número expressivo de participantes em nosso X Simpósio Brasileiro de Psicologia Política, em Alagoas e também estivemos no XXI Encontro Regional da ABRAPSO Minas. Comparecemos ao IV Simpósio Internacional de Cultura e Comunicação na América Latina e ao VII Encontro Paulista de Psicologia Política, ambos em São Paulo.

Apresentamos a atualidade da Psicologia Política brasileira no Annual Meeting of the International Society of Political Psychology, nos Estados Unidos, resultando em importantes articulações para o próximo, que deverá ocorrer em 2019 em Portugal. Nos fizemos presentes no 4º Congresso Ibero-latino americano de Psicologia Política, ocorrido no Chile, ocasião em que foi eleita a nova diretoria da Asociación Ibero Latinoamericana de Psicología Política (AILPP), inclusive com um membro brasileiro na área de Pesquisa – Domenico Uhng Hur, da UFG.

Participamos ainda do VII Congresso Latinoamericano de Psicologia (ULAPSI) na Costa Rica e do 8° Foro Mundial de las Migraciones, no México. Estivemos presentes também no VIII Simpósio Internacional de Psicologia Social Comunitária, na Colômbia, na 8ª Conferência Latino-americana e Caribenha de Ciências Sociais (CLACSO) e no 1º Fórum Mundial do Pensamento Crítico, ambos na Argentina.

ABPP e RPP no Ciência e Profissão
ABPP e RPP no V CBP

Importante ressaltar também, a participação ativa da ABPP no Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira (FENPB) desde 2017, que resultou em nossa atuação na Comissão Executiva do V Congresso Brasileiro Psicologia, Ciência e Profissão (CBP), ocorrido em São Paulo.

Um fato marcante neste ano foi a reorganização do GT Psicologia Política à ANPEPP (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia), o qual, ainda que com nomes distintos, esteve presente nesta associação de 1989 a 2012. Este retorno do GT é muito bem-vindo e, além dos debates profícuos, gerou a organização de um livro sobre Memória Política.

Ademais, a partir da articulação de associados da ABPP com o GT História Social da Psicologia foi organizado um número da Revista Psicologia Política (RPP) sobre História Social da Psicologia e Política, a ser publicado como primeiro volume de 2019.

X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PSICOLOGIA POLITICA E ELEIÇÃO DA NOVA DIRETORIA ABPP (BIÊNIO 2019-2020)

Foto_Simposio_logoO X Simpósio Brasileiro de Psicologia Política (http://xsbpp.com.br/) ocorreu entre os dias 29 de outubro e 01 de novembro de 2018 na Universidade Federal de Alagoas, na cidade de Maceió. O Simpósio foi realizado pela ABPP em conjunto com o Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Alagoas e teve o apoio do Instituto de Psicologia da UFAL (PPGP-UFAL), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL), da Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos do Estado de Alagoas, do Conselho Regional de Psicologia de Alagoas (CRP-AL).

A construção do XSBPP também só foi possível pela contribuição das/os pesquisadoras/es, das/os estudantes de pós-graduação e graduação que compuseram as Comissões Científica e Organizadora do Simpósio, e das/os monitoras/es que atuaram durante os dias do evento.

O tema geral do Simpósio foi Psicologia Política no Brasil e enfrentamentos a processos antidemocráticos, tendo o evento cinco eixos temáticos que buscaram refletir sobre a conjuntura política brasileira atual e sobre a história e as perspectivas teórico-metodológicas da psicologia política.

Os eixos temáticos foram: Discursos autoritários e conservadores no Brasil e suas implicações para a democracia (Eixo 1); Mobilizações coletivas: estratégias políticas e demandas democráticas (Eixo 2); Estado e relações de dominação: políticas públicas, reformas sociais e direitos democráticos (Eixo 3); Populismo e comportamento eleitoral (Eixo 4); Psicologia Política: história, perspectivas teórico-metodológicas e contribuições para a expansão da democracia (Eixo 5).

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Mesa de Abertura do X SBPP

O XSBPP contou com 650 participantes inscritos e 463 credenciados – docentes, profissionais, estudantes de pós-graduação, estudantes de graduação, integrantes de movimentos sociais -, os quais vieram das cinco regiões do Brasil e do exterior. Os 20 convidados/as presentes no Simpósio compuseram a Conferência de Abertura, as cinco Mesas Redondas referentes aos eixos temáticos do evento e/ou ministraram os sete mini-cursos que foram realizados no dia 29 de outubro de 2018. Além destas atividades, tivemos:

a) 24 Grupos de Trabalho, submetidos por pesquisadoras/es e integrantes de movimentos sociais de diferentes Estados do país, nos quais foram apresentados 207 trabalhos.
b) Sessão de Homenagens, na qual foram homenageados a líder comunitária Enaura Nascimento e as/os professoras/es Lúcia Rabello de Castro, Salvador Sandoval, Leoncio Camino, Marco Aurélio Máximo Prado.
c) Diálogos Rede Unida-ABPP: SUS e democracia.
d) Lançamento de Livros.
e) Assembleia da ABPP, na qual foi eleita a nova diretoria da ABPP (Biênio 2019-2020).

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Homenageadas/os no X SBPP

A nova diretoria foi eleita por unanimidade durante a Assembleia da ABPP e é composta pelos seguintes membros:
– Presidente: Dr. Frederico Alves Costa (UFAL);
– Secretária: Dra. Josiele Bené Lahorgue (CESUSC);
– Vice-presidente Regional Sul: Dra. Marcela de Andrade Gomes (UFSC);
– Vice-presidente Regional Centro-Oeste: Dr. Fernando Lacerda Júnior (UFG);
– Vice-presidente Regional Nordeste: Dr. João Paulo Macedo (UFPI);
– Vice-presidente Regional Sudeste: Ms. Mariana Luzia Aron (USP / MACKENZIE);
– Vice-presidente Regional Norte: Ms. Paulo Victor Telles de Almeida (UNINORTE).

Ademais, foi eleito também o Conselho Fiscal, composto por:
– Titulares: Dr. Jáder Ferreira Leite (UFRN); Dr. Rafael Prosdocimi Bacelar (UNI-BH); Ms. Leandro Amorim Rosa (PUC-SP);
– Suplentes: Ms. Larissa Soares Baima (PUC-Campinas); Ms. Maria Aparecida Veiga Malagrino (PUC-SP).

Durante a Assembleia também foi aprovada a proposta de realização do XI Simpósio Brasileiro de Psicologia Política na Universidade Federal de Santa Catarina, em 2020.

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Abertura do X SBPP

Agradecemos a todas e todos que contribuíram para a realização do X Simpósio Brasileiro de Psicologia Política e desejamos sucesso para diretoria eleita! Acreditamos que a psicologia política tem muito a contribuir para a reflexão sobre estratégias de enfrentamento a processos antidemocráticos que marcam a conjuntura política brasileira e mundial atual.

Dr. Jáder Ferreira Leite
Presidente da ABPP – Gestão 2017-2018

Dr. Frederico Alves Costa
Presidente do X Simpósio Brasileiro de Psicologia Política