História da ABPP

Uma nova interlocutora no campo da Psicologia no Brasil: A Sociedade[1] Brasileira de Psicologia Política[2]

 Leoncio Camino

Professor do Departamento de Psicologia da UFPb

Primeiro Presidente da Associação Brasileira de Psicologia Política

Um grupo de pesquisadores na área da Psicologia Política decidiu, neste ano, fundar a Sociedade Brasileira de Psicologia Política. Para apresentar melhor esta nova interlocutora pensamos que devemos responder a três perguntas clássicas: o quê?; o porque?; e o para quê?

Comecemos pelo o quê, definindo o que é a Psicologia Política como uma área da Psicologia que estuda o comportamento político. Este tipo de definição, pela sua amplitude, termina explicitando pouca coisa. De fato, é conveniente, num primeiro momento, distinguir entre Psicologia Política e Psicologia da Política. Na primeira expressão indica-se que a psicologia não se encontra à margem da política; afirma-se que a própria Psicologia contém implícita ou explicitamente pressupostos ideológicos. Pelo contrário, na expressão Psicologia da Política, considera-se ambos termos como independentes e/ou diferentes; significa uma disciplina que consiste na aplicação do conhecimento psicológico ao estudo dos fenômenos políticos.

Mas, essa distinção radicalizada pode levar a extremos. Por um lado, como aconteceu na América Latina nas décadas de 1970 e 1980, quando as opções políticas de alguns psicólogos talvez tenham sido colocadas com extrema relevância em detrimento do desenvolvimento teórico e analítico do conhecimento científico. Por outro lado, como vem acontecendo na Psicologia Política contemporânea, os conhecimentos da psicologia, considerados como objetivos e livres de valores, são aplicados sem crítica na análise dos fenômenos políticos.

No primeiro caso, corre-se o risco de “politizar a psicologia”, ‘ou seja, de transformá-la em puro instrumento da luta política. No segundo caso, “psicologiza-se” a política, ao substituir-se dimensões políticas por conceitos e variáveis psicológicas consideradas como universais e totalmente descontexualizadas das circunstâncias históricas e políticas.

Mas a distinção, se não radicalizada, pode ser útil, não para classificar as teorias entre más e boas, mas para sinalizar uma das possíveis dimensões que ajudam a situar as diversas abordagens utilizadas na Psicologia Política. De fato, no interior, tanto da psicologia como no conjunto de ciências humanas, desenvolvem-se diversas concepções sobre o Homem e a Sociedade e sobre as relações entre ambos. Não existem critérios preestabelecidos para avaliar nem a validade científica de cada abordagem, nem sua capacidade de melhorar as condições de vida psíquica, cultural e política da humanidade. Esta impossibilidade decorre do fato de que tanto a Psicologia como as Ciências Humanas fazem parte da arena onde se desenvolvem as lutas ideológicas, sociais e políticas.

Para poder responder ao porque da necessidade de uma Sociedade de Psicologia Politica deve-se ter em conta a existência de diversas formas de abordagem da política e a necessidade de confrontar essas perspectivas. É por esta razão que no momento de construção da Sociedade Brasileira de Psicologia Política não nos parece útil colocar uma definição a priori do que entendemos por Psicologia Política mas sim construir um campo democrático e competente de debates que permitam estabelecer um processo fecundo de debate dos significados possíveis da Psicologia Política. Mas isto não quer dizer que a SBPP se apresente como um campo neutro de debates. Pelo contrário, no decurso de sua constituição, como veremos mais a frente, a SBPP tem aos poucos construído alguns pressupostos fundamentais que guiam a construção deste campo de estudo. Do ponto de vista da Psicologia, nada parece mais legítimo, que a reivindicação de constituir o comportamento político, como um campo de estudo específico desta. De fato, nesta perspectiva, diversos conceitos psicológicos, sejam motivacionais sejam cognitivos, têm sido utilizados para explicar o comportamento político do indivíduo. Tem-se levantado críticas a esta abordagem pelo individualismo e reducionismo implícitos.

Uma outra perspectiva propõe-se iniciar a análise pelo fenômeno político e não pelos aspectos psicológicos. Todas as concepções do político fazem menção às relações de poder. Aliás, estas relações não se esgotam no confronto físico, mas sempre possuem um aspecto simbólico. Poder-se-ia afirmar que as relações de poder não só se desenvolvem no nível simbólico, mas que elas também participam da construção do meio simbólico onde se desenvolvem todas as formas de relação social, particularmente as relações políticas. E ainda mais, as relações de poder são a chave essencial para entender a construção de outros símbolos essenciais nas relações sociais quotidianas. De fato, no Brasil, um grupo de psicólogos pesquisadores vêm estudando os aspectos subjetivos dos fenômenos políticos, mas sendo conscientes que os conceitos desse saber, fazem parte, da arena política.

Podemos localizar a primeira articulação deste grupo em 1989, quando formou, no II Simpósio de Pesquisa e Intercâmbio Científico organizado pela Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP), um Grupo de Trabalho em Psicologia dos Movimentos Sociais. Pelo fato do cenário político encontrar-se marcado pelo surgimento de vários movimentos sociais, estes se constituíram no tema central do interesse dos estudiosos da Psicologia Política. Os pesquisadores deste grupo procuraram sintetizar as duas perspectivas anteriormente mencionadas, considerando a Psicologia Política como o estudo dos aspectos subjetivos dos fenômenos políticos, postura que tem em conta que os conceitos utilizados fazem parte, de alguma maneira da arena política.

Assim, foi durante os anos 90, caracterizados pelos aspectos institucionais da transição democrática, que os membros deste grupo de estudo, cada um na sua própria perspectiva, dedicaram-se a analisar a maneira como os cidadãos participam do processo de transição democrática e como se apropriam das diversas noções políticas que circulam na sociedade. Nesta direção, com uma nova denominação que incluía os novos interesses, o Grupo de Trabalho em Comportamento Político, instituiu um debate sobre o processo de Socialização Política durante o VI Simpósio cujos resultados foram publicados, em Setembro de 1996, no número 13 do lº Volume de Coletâneas da ANPEPP. Nesse debate constatou-se que no Brasil, apesar dos grupos que se dedicam ao estudo da Psicologia Política terem realizado algumas iniciativas em comum, não tinham desenvolvido ainda um referencial teórico geral que permitisse um verdadeiro intercâmbio científico.

Retomaram-se, durante os VII e VIII Simpósio de Pesquisa e Intercâmbio Científico (em 1998 e 2000, respectivamente), os temas de Psicologia Política que estavam sendo objeto de estudo no Brasil, a fim de iniciar, em um certo sentido, a elaboração do estado da arte da área de Psicologia Política no país e de esclarecer as perspectivas utilizadas pelos diversos pesquisadores. Após todas estas experiências desenvolveu-se a convicção, entre os participantes, que o Grupo de Trabalho em Comportamento Político não deveria limitar-se a ser um espaço de debates sobre Psicologia Política, nos congressos da ANPEPP, mas deveria converter-se, realmente num fórum que tanto facilite o intercâmbio científico quanto ajude a expansão do ensino e pesquisa na área da Psicologia Política. Estas ideias foram debatidas no I Seminário Nacional de Psicologia Política que se realizou em São Paulo do 29 ao 31 de Maio de 2000.

De fato, apesar de sua importância, a Psicologia Política limita-se, no Brasil, a ser um campo de pesquisa em alguns poucos programas de pós-graduação. Embora este espaço deva ser mantido e fortalecido através de nossa presença na ANPEPP, iniciou-se no I Seminário Nacional de Psicologia Política o processo de formação de uma Sociedade mais ampla que se proponha facilitar o intercâmbio cientifico no Brasil entre pesquisadores na área seja através da realização de encontros científicos como na coordenação de uma revista científica dedicada especificamente aos temas da Psicologia Política.

Pretende-se também, através da Sociedade Brasileira de Psicologia Política estimular o intercâmbio científico com pesquisadores de outros países. De fato, no mês de Julho estaremos participando da 24ª Reunião Anual da Sociedade Internacional de Psicologia Política (ISPP) que se realizará no México. Além de institucionalizar nossa relação com a ISPP pensamos estabelecer formas concretas de intercâmbio com os psicólogos políticos da América Latina. Finalmente, pretende-se, com a criação da Sociedade Brasileira de Psicologia Política trabalhar na expansão do ensino da Psicologia Política nos cursos de graduação.

 

A Psicologia Política no Brasil: Contribuições, a ABPP e a Revista Psicologia Política[3]

 Alessandro Soares da Silva

Professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP

 As contribuições de Silvia Lane, Leoncio Camino e Salvador Sandoval

Como bem se pode notar, neste artigo não pretendemos fazer uma análise exaustiva de cada um destes autores, mas sim pontuar elementos do trabalho de quem fez a Psicologia Política acontecer no Brasil. Nesse sentido, destacamos a atividade intelectual e militante de Silvia Lane, Leoncio Camino e Salvador Sandoval. Cada um a seu modo e desde lugares teóricos diferentes atuaram de modo a consolidar diferentes formas de pensar e fazer Psicologia Política, formando, de certa maneira, distintas “escolas” de pensamento e prática psicopolítica.

A partir da produção intelectual militante de Silvia Lane se construiu no Brasil uma Psicologia comprometida social e politicamente, inclusive tendo efeitos sob determinadas correntes clínicas de corte marxista. Ela foi uma presença marcante nas Psicologias Social e Comunitária Brasileiras. Tendo produzido importantes trabalhos que versavam o tema dos processos de conscientização política, ela também influenciou a psicologia política a partir de uma leitura psicossocial da realidade. A esse respeito escreveram Helerina Novo e Maria de Fátima Quintal de Freitas (2007):

Campos como a Psicologia Social, a Psicologia (Social) Comunitária e a Psicologia Política – no Brasil e na América Latina – passam a ter um significado único e singular quando surgem e se fortalecem tendo o matiz e a influência de Sílvia Lane. Ela sempre foi uma das maiores defensoras da Psicologia em nosso país e continente. Teve sempre a capacidade de aglutinar, mesmo quando era implacavelmente crítica, mas sempre respeitadora e, por isto mesmo, soube trazer os adversários para uma luta pela profissão e pela produção ligada à nossa realidade. Já nos anos 60 e 70, Sílvia Lane falava do caráter político da Psicologia e, em certa medida, ela foi a madrinha da Psicologia Política que vai se fortalecendo, também, no Brasil, já em meados dos anos 80 dentro desta vertente de politização da consciência, como se referia.

Em certa medida a Psicologia Política Brasileira foi gestada em paralelo com a Psicologia Social, visto que nomes importantes que atuaram na fundação da Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO) durante os anos de 1980 também contribuíram para a produção de uma Psicologia Política de corte psicossocial. Neste cenário é importante a contribuição de Sílvia Lane que, além de co-fundar a ABRAPSO, influenciou para a politização da ação de psicólogas/os e para uma prática psicossocial mais interdisciplinar. Destacamos que foi Silvia que introduziu no Programa de Psicologia Social da PUCSP a disciplina de Comportamento Político e conduziu a contratação, em 1978, do professor Salvador Sandoval para ministrá-la e orientar pesquisas nesse campo. A chegada de Sandoval ao programa vinha reforçar os esforços formativos de Silvia no campo da Psicologia Social Comunitária que era socialmente comprometida.

A insistência de Silvia em construir uma práxis que realmente se preocupava com um “fazer psi” que rompia com a ideia de neutralidade e que assumia a centralidade do exercício cidadão expresso no compromisso social, foi a base de uma Psicologia Política comprometida com a realidade e que trilhava a perspectiva libertadora inaugurada por Ignácio Martín-Baró (1985, 1991). Daí nasce uma psicologia social politicamente engajada. Este fazer de Silvia encontrava ressonância em fazeres de outros psicólogos sociais, politólogos e sociólogos latinoamericanos. A escola de Silvia Lane faz coro não só com o pensamento de Ignácio Martín-Baró (El Salvador), mas também com as proposições de Ignácio Dobles (Costa Rica) e Maritza Montero (Venezuela).

A partir desta visão “Libertadora” que Martín-Baró inaugura consolida-se em toda latinoamérica a Psicologia da Libertação, a qual se confunde muitas vezes em seu fazer com a Psicologia Social Comunitária inaugurada por Silvia Lane. Mas esse fazer politicamente comprometido vai gerar, por uma parte, uma nova forma de fazer Psicologia Social e, por outra, uma linha de pensar e agir no campo da Psicologia Política. Nesse sentido, alguns (Furtado, 2000), inclusive chegam a perder de vista os múltiplos sentidos dos fazeres de Silvia Lane, assumindo posturas unidirecionais de suas práticas, inclusive negando a possibilidade de se pensar numa Psicologia Política. Mas de fato o que importa é que não é suficiente uma psicologia comprometida para que se faça Psicologia Política. E Silvia o sabia, a ponto de haver sido Fundadora Emérita da Sociedade Brasileira de Psicologia Política ao lado de Maritza Montero e de Leoncio Camino, seu primeiro presidente, e de Salvador Sandoval, criador do primeiro grupo de pesquisa brasileiro em Psicologia Política. Foi a partir deste grupo, criado com o apoio de Silvia Lane, que se iniciaram a Sociedade e a Revista Psicologia Política, ambas uma derivação do I Simpósio Nacional de Psicologia Política ocorrido em maio de 2000 na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e organizado pelo Núcleo de Psicologia Política e Movimentos Sociais desta instituição.

Sandoval foi fundador e Editor da Revista Psicologia Política (juntamente com Marco Aurelio M. Prado, e um grupo de orientandos), a qual teve seu primeiro número organizado a partir das conferências de quem falou no primeiro Simpósio. Nessa linha, é claro que a Psicologia Política não é o mesmo que a politização da Psicologia nem a Psicologização da Política. A diferença entre estes posicionamentos e o que pretende a Psicologia Política enquanto campo de conhecimento está em não entender a psicologia política como mero processo de politização de práticas psi, mas na produção de um campo de estudos científicos nascidos da interação de diversos campos do saber, principalmente da Política e da Psicologia (Silva, 2012).

Mas outro elemento que contribuiu consideravelmente para o desenvolvimento inicial da Psicologia Política Brasileira foi a parceria estabelecida entre os grupos de pesquisa coordenados por Salvador Sandoval (NUPMOS) e por Leoncio Camino (Grupo de Pesquisa em Comportamento Político – GPCP). Ambos nutriam seus grupos de pesquisa com seus estudantes de graduação e pós-graduação. Contudo, como na UFPb não houve por muito tempo um programa stricto sensu com o nível de doutorado em Psicologia, muitos dos estudantes de Leoncio migraram a São Paulo no intuito de continuar sua formação. Com essa parceria, eles formaram uma parcela significativa de pesquisadores(as) que viriam a criar seus próprios grupos de pesquisa com enfoques psicopolíticos.

A colaboração entre eles e seus/suas estudantes contribuiu para que a Psicologia Política fosse sempre um eixo de trabalho nos encontros da ABRAPSO. Também desta parceria surgiu o atual grupo de trabalho em Psicologia Política que se reúne na Associação Nacional de Pesquisa e Programas em Psicologia – ANPPEP.

Se, como dissemos, Silvia Lane trilha as sendas de um perspectiva de leitura marcada pelo compromisso social de quem pesquisa e faz Psicologia Política e de corte psicossocial, podemos dizer que as escolas de Leoncio Camino e Salvador Sandoval seguem caminhos que, epistemologicamente guardam diferenças. Leoncio, como bem demostram suas publicações, busca construir uma Psicologia Política de corte psicossociológico. E isso se expressa de modo claro na obra organizada por Ana Raquel Rosas Torres, Marcus Eugênio Lima, e Joseli da Costa (2005) intitulada “A Psicologia Política na Perspectiva Psicossociológica: O estudo das Atividades Políticas” lançado como parte das comemorações dos 25 anos do Grupo de Pesquisa em Comportamento Político da UFPB coordenado por Camino.

A marca das preocupações de Leoncio Camino no campo da Psicologia Política foram enfrentadas a partir não da leitura mais habitual da Psicologia Social, mas sim da Psicossociologia, o que não é uma diferença menor. Em certa medida, podemos dizer que a psicossociologia pode ser observada por alguns como um corte mais sociológico e menos individualista (portanto mais coletivista) da Psicologia Social. Fenômenos e atores coletivos são o centro da preocupação investigativa de quem se alinha a esta perspectiva. Assim greves, sindicatos, partidos políticos e movimentos sociais são alguns dos interesses recorrentes desse grupo. Aqui temos um elemento importante que faz com que o encontro entre psicologia (psicossociologia) e política (comportamento político) gere uma forma bastante recorrente no Brasil de pensar a Psicologia política, e, de modo particular, as questões associadas mais vivamente ao campo de estudos do comportamento político.

No caso dos pesquisadores formados pelo Núcleo de Pesquisa em Psicologia Política e Movimentos Sociais coordenado por Salvador Sandoval, a perspectiva teórico-metodológica se mostra mais afeita a pensar a Psicologia Política como campo Interdisciplinar. As bases principais deste campo estariam na Política, História, Sociologia e Psicologia Social, sendo as leituras dos fenômenos políticos marcadas por elementos fortemente relacionados com as ciências políticas. Desta feita, o corte politológico dos fenômenos subjetivos é um traço mais radical de seus estudos no instante em que o político e a política sempre estão em relevo nas análises feitas nesse grupo.

 Dos Grupos de Trabalho da ANPEPP à ABPP

A criação da Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP) em 2000 definiu elementos que têm possibilitado que a Psicologia Política seja reconhecida no país; ela também tem proporcionado um elo entre aquelas pessoas que desejam constituir grupos de investigação em Psicologia Política e nem sempre encontravam o apoio necessário para seguir com esse propósito adiante. É fato que, desde muito, se buscavam aglutinar esforços para a criação de um espaço institucional que congregasse os(as) estudiosos(as) em/da Psicologia Política. Um exemplo importante destes esforços foi a criação do Grupo de Trabalho (GT) sobre Psicologia dos Movimentos Sociais, quando da criação da Associação Nacional de Programas e Pesquisa em Psicologia (ANPPEP), em 1981. Nessa ocasião, buscou-se criar um GT que possibilitasse o intercâmbio entre profissionais comprometidos com temas cotidianos ligados à política e, inicialmente, aos movimentos sociais de modo particular.

Retomar, ainda que brevemente, a trajetória do GT é importante, pois, por meio dele, foi possível costurar redes que permitiram chegar à criação da ABPP; isso também nos permite pensar a diversidade de grupos que vêm surgindo. Assim, é importante dizer que ele passou por algumas mudanças, de modo a ajustar os elementos que seriam constitutivos de uma identidade de grupo. Muitas das pessoas que estiveram nesse GT hoje não participam mais, mas continuam produzindo seus trabalhos no âmbito da Psicologia Política. Isso ocorre, porque os GTs são essencialmente reflexos de redes e redes se sobrepõem.

Do ponto de vista da cronologia, o GT apresentou-se inicialmente com a designação Psicologia dos Movimentos Sociais, durante os três primeiros simpósios da ANPPEP (1988, 1989 e 1990). Nos dois primeiros anos, quem o coordenou foi o professor Camino (UFPB) e, em 1990, o professor Sandoval (PUC-SP). Inicialmente, o GT teve como agentes aglutinadores desse processo os professores Leoncio Camino, Salvador Sandoval, Pedrinho Guareschi (PUC-RS), Maria Alice da Silva Leme (USP), Lidio Souza (UFES) entre outros.

Em 1992, o grupo não se reuniu sob esse nome e seus coordenadores integraram o GT A Pesquisa Interdisciplinar, coordenado por David W. Carraher (UFPE). Nos simpósios de 1994 e 1996, o grupo passou a chamar-se Psicologia Política e Movimentos Sociais, mesmo nome do grupo de pesquisa liderado pelo professor Sandoval na PUC-SP. No ano de 1994, a coordenação esteve a cargo de Salvador Sandoval e, no simpósio seguinte (1996), Sandoval e Camino dividiram a atividade de coordenação. Mas, em 1998, se operou uma nova mudança. O GT passou a chamar-se Comportamento Político, nome que permaneceu até 2006.

Nos simpósios VII (1998) e VIII (2000), o GT esteve a cargo de Leoncio Camino, e o GT do IX simpósio (2002), a cargo de Salvador Sandoval. Para o ano de 2004, não encontramos informações sobre o grupo, mas, aparentemente, ele ocorreu sob a coordenação do professor Cornelis Johannes van Stralen (UFMG). Desde essa oportunidade, é ele que tem presidido o GT e foi ele que coordenou a última mudança do nome do GT para Psicologia Política. Esta ocorreu em 2008, para adequá-lo à existência da ABPP, associação à qual todos eram filiados.

Sendo esse o GT mais antigo em vigência na ANPPEP (apesar da mudança de nomes, manteve coerência com o próprio campo em toda a sua trajetória), é natural que ele agregue algumas das forças políticas nacionais que atuaram na criação da Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP). A ABPP foi fundada em 10 de dezembro de 2000, na Escola de Sociologia e Política (ESP), na cidade de São Paulo. Na ocasião, reuniram-se, naquela que foi a primeira escola livre de Sociologia da América Latina (1934), os(as) pesquisadores(as) que, na ocasião, representavam diversas instituições: Alessandro Soares da Silva, Márcia Prezotti Palassi, Soraia Ansara, Zartú Giglio e Pedro de Oliveira Filho, membros do Núcleo de Psicologia Política e Movimentos Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), liderado por Salvador Antonio Mireles Sandoval; Leoncio Camino Larrain, líder do Núcleo de Estudos sobre Comportamento Político da Universidade Federal da Paraíba (UFPb) e pesquisadores isolados, como Marco Aurélio Máximo Prado, à época na Universidade São Marcos (UniMarco), e Maria Palmira da Silva, docente da escola anfitriã, ESP.

O número de presentes naquela reunião poderia ter sido maior, visto o número de convidados. Manifestaram-se, por correio eletrônico, favoravelmente à criação da associação importantes pesquisadores como Louise Llullier, líder do Laboratório de Comportamento Político da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Cornelis Johannes van Stralen e Vanessa de Andrade Barros, líderes de um grupo não formal de Psicologia Política existente na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Karin von Smigay, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Telma Regina de Paula Souza, da Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP); Maria Aparecida Morgado, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT); Maria de Fátima Quintal de Freitas, Universidade Federal do Paraná (UFPR); Maria da Graça Jacques, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Pedrinho Guareschi, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS); Celso Zonta, da Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Joseli Bastos, membro do grupo liderado pelo professor Leoncio Camino.

Essa reunião que resultou na criação da ABPP surgiu quando, após havermos organizado o I Simpósio Nacional de Psicologia Política, em maio de 2000, percebemos que há muito havia um desejo para o estabelecimento desse espaço institucional. Durante o evento, buscamos propositadamente incentivar os presentes a pensar um encontro. Juntamente com os pesquisadores Salvador Sandoval e Marco Aurélio M. Prado, levamos adiante a iniciativa de convocar a reunião de dezembro de 2000.

Muitas eram as ações que ocorreram nos anos de 1980 e 1990 e que levavam àquela reunião, na qual se decidiu definitivamente a criação, não só da associação, mas também da Revista Psicologia Política, como veículo oficial da associação. Inicialmente, a associação foi presidida, entre os anos de 2000 e 2002, por Leoncio Camino (UFPB), seguido de Salvador Sandoval (PUC-SP), entre 2002 e 2004; Cornelis Johannes van Stralen (UFMG), entre os anos de 2004 e 2008, e Marco Aurélio Máximo Prado (UFMG), entre 2008 e 2011. Atualmente, ela está, mais uma vez, sob a presidência de Salvador Sandoval. A Secretaria Geral da associação foi comandada, nessas distintas diretorias, por Louise Llullier (UFSC), Marco Aurélio Máximo Prado (UFMG), Vanessa Barros (UFMG), Marcos Ribeiro Mesquita (UFAL) e Cornelis Johannes van Stralen (UFMG).

No que tange à regionalidade das representações, a participação de Minas Gerais e de São Paulo têm sido decisivas para a consolidação das atividades da ABPP. No entanto, a participação das demais regiões, e em especial da região sul, têm crescido.

Os simpósios da ABPP ocorreram em São Paulo – SP, na PUC-SP com o tema A Psicologia Política no Brasil (2000); na USP, sendo os temas norteadores O Público e o Privado nas Políticas Públicas (2008) e Perspectivas e Desafios da Psicologia Política no Brasil: 10 anos da ABPP (2011); em Belo Horizonte – MG, na UFMG e, tendo por temas Identidade e Política (2002) e A Psicologia Política e a Nova Transição Democrática (2006); em Bauru – SP, na UNESP, com o tema A Questão Social no Brasil (2005) e em São Francisco de Paula – RS (2012), sendo Memória Política, História, Movimentos Sociais e Esfera Pública o tema desta edição, sediada na UERGS.

No âmbito das relações interinstitucionais, a ABPP participa como membro do Fórum de Entidades de Psicologia e da União Latino-Americana de Psicologia (ULAPSI), na qualidade de membro fundador, e da Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO). Inclusive, nos anos que não há simpósio, a associação realiza seus encontros dentro da programação da ABRAPSO, sendo que as quatro primeiras diretorias foram eleitas em assembleias ocorridas dentro do encontro desta associação.

 Revista Psicologia Política

Em 2001, iniciou-se no Brasil a publicação da revista brasileira, mantida pela Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP), sob o nome de Psicologia Política. Essa publicação chega ao seu 13º aniversário e se distingue muito das temáticas abordadas pelas outras revistas. Entre os principais debates que ela tem acolhido em suas páginas encontram-se questões relativas ao preconceito e às diferentes formas de racismos e xenofobias, ações coletivas e movimentos sociais, violência coletiva e social, memória coletiva e socialização política, comportamento eleitoral, relações de poder, valores democráticos e autoritarismos, participação social e políticas públicas, relações de trabalho, análise de discursos e ideologias, de universos simbólicos e de práticas institucionais. De fato, a revista destaca ser uma “publicação dirigida ao campo de estudos interdisciplinar da Psicologia Política e tem como epicentro a reflexão sobre o comportamento político nas sociedades contemporâneas”.

Esse periódico nasce concomitantemente com a ABPP e seu primeiro número contém, como dito, algumas das conferências do I Simpósio Brasileiro de Psicologia Política, ocorrido em 2000, que foram transformadas em artigos. Os textos nela publicados apresentam-se como um importante ponto de intersecção entre a Psicologia e as Ciências Políticas. Do ponto de vista dos aportes teórico-metodológicos, vale ressaltar que ela tem se preocupado em garantir, como se verifica em sua web, um debate no qual:

nem as condições objetivas nem as subjetivas estejam ausentes, pelo contrário, estão sendo compreendidas, por diferentes abordagens teóricas, como co-determinantes, portanto, constituintes dos comportamentos coletivos, dos discursos, das ações sociais e das representações que constituem antagonismos políticos no campo social.

Num levantamento dos 10 primeiros anos de existência da RPP, identificamos que ela publicou 148 artigos em 20 fascículos, sendo 87,83% da produção de estudiosos brasileiros, 6,75% europeus, 2,02% de autores da América do Norte, 4,72% das Américas Central e do Sul.

A recente fundação da Associação Ibero Latino-americana de Psicologia Política em novembro de 2011 em Córdoba (Argentina). Fez com que a RPP passasse para um novo nível de responsabilidade, uma vez que ela passou a ser um veículo oficial também desta associação científica, no instante em que se abre um terceiro fascículo da revista para a organização coordenada entre os Editores da RPP e a Secretaria de Publicações da AILPP. Nesse sentido, a RPP passa a ser um veículo de integração das distintas visões hermenêuticas sobre a Psicologia Política e contribui para sua consolidação enquanto campo interdisciplinar de saber.

 Referências

ABPP. (2001). Linha Editorial. Psicologia Política, 1(1).

Freitas, M. F. Q. de & Novo, H. A. (2007). A guerreira Silvia Lane e suas lições de “paciência histórica”: Um depoimento emocionado. Psicologia & Sociedade, 19 (esp. 2), 31-36.

Furtado, O. (2000). Psicologia e Compromisso Social – Base Epistemológica de uma Psicologia Crítica. PSI – Revista de Psicologia Social e Institucional, 2(2), 217-229.

Martín-Baro, I. (1985). Acción e Ideología: Psicología Social desde Centroamérica. San Salvador: UCA Editores.

Martín-Baró, I. (1991). El Método en Psicología Política. Em M. Montero (Org.) Acción y Discurso: Problemas de Psicología Política en América Latina (pp. 39-56). Caracas: Panapo.

Silva, A. S. da. (2012). Psicologia Política, Políticas Públicas e Movimentos Sociais. Tese de Livre-Docência. Universidade de São Paulo.

Torres, A. R. R.; Lima, M. E. O. & Costa, J. B. da (Orgs.). (2005). A psicologia política na perspectiva psicossociológica: O estudo das atividades políticas. Goiânia: Editora da UCG.

 

Desafios para a psicologia política brasileira: a inserção em Programas de Pós-Graduação e a delimitação como campo de conhecimento [4]

Frederico Alves Costa

Universidade Federal de Alagoas

Introdução

O objetivo deste texto é problematizar a consolidação da psicologia política no Brasil a partir da discussão sobre sua inserção em Programas de Pós-Graduação (PPG) brasileiros e sobre sua delimitação como um campo de conhecimento.

Esta discussão é resultante de um mapeamento, realizado no final de 2014 e início de 2015, que apontou uma pequena identificação com a psicologia política como área/sub-área de atuação no Currículo Lattes por docentes vinculados aPPG brasileiros em Psicologia Social ou em Psicologia. Mapeamos 194 docentes que debatiam temas políticos, vinculados a 37PPG, mas apenas 11 deles/as identificavam a psicologia política como área/sub-área de atuação.

É importante considerar que o campo área de atuação do Lattes é um campo preenchido pelo pesquisador, desta maneira, se, por um lado, não constar psicologia política neste campo não significa necessariamente a não inserção do pesquisador na psicologia política; por outro lado, a explicitação da psicologia política é um indicativo claro desta inserção.

Diante desta pequena identificação com a psicologia política, uma primeira questão que emergiu foi a seguinte: a inserção da psicologia política emPPG brasileiros é um desafio para a consolidação da psicologia política no Brasil e, assim, para a produção de conhecimento neste campo de saber?

De maneira a explorar esta questão,recorremos aos editoriais e às mensagens da Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP) presentes nos 32 números da Revista Psicologia Política (RPP) que haviam sido até então publicados[1], a qual é uma estratégiadesta Associação para divulgação da psicologia política no Brasil. Buscamos observar nestes textos discussões sobre a inserção da psicologia política nos PPG brasileiros.

A partir desta leitura verificamos que, desde o primeiro número da RPP, publicado em 2001, a inserção nos cursos de graduação e de pós-graduação tem sido compreendida como um desafio para a psicologia política brasileira. Diante disso, outra questão emergiu:que fatores têm contribuído para a manutenção deste desafio neste período temporal? Ao entendermos que o modo de delimitação do campo da psicologia política no Brasil pode ser um destes fatores, recorremos aos editoriais e às mensagens da diretoria da ABPP nos 32 números da RPP, bem como ao escopo editorial desta, buscando compreender como o campo tem sido delimitado nesta revista.

Trataremos neste artigo, portanto, de um aspecto relevante para a consolidação de um campo de conhecimento: a identificação de pesquisadores com o campo. Mais especificamente de pesquisadores vinculados a PPGe que têm investigado temas políticos, isto é, estratégias de reprodução e/ou de enfrentamento a relações de dominação, objetos de estudo importantes para a psicologia política.

Primeiramente, apresentaremos algumas considerações metodológicas. Depois abordaremos, de modo breve, a primeira questão colocada acima e, mais detalhadamente, a segunda questão, localizando ambas como desafios para a psicologia política. Não temos a pretensão de responder estas questões de maneira definitiva, mas de apresentar alguns aspectos que possam contribuir para a consolidação da psicologia política no Brasil. Campo que já se fazia presente no país na primeira metade do século XX  (Sass, 2005; Silva, 2012a)e que foi retomado no final dos anos 1980 num contexto de reflexões políticas sobre a construção de uma sociedade menos autoritária e desigual.

Considerações metodológicas

No final de 2014 iniciamos uma pesquisa sobre a produção científica referente ao debate sobre temas políticos, publicada nas últimas décadas por pesquisadores que atuam em PPG brasileiros e que se identificam com o campo da psicologia social e/ou da psicologia política. A primeira fase desta pesquisa caracterizou-se pela construção de um mapeamento destes pesquisadores através da consulta de sítios de PPG em Psicologia Social e de PPG em Psicologia que apresentassem áreas e/ou linhas de pesquisa referentes à psicologia social ou à análise de temas políticos. Os PPG foram encontrados na página da CAPES sobre cursos recomendados e reconhecidos no país.

Inicialmente, mapeamos 441 docentes, vinculados a 39 PPG. Posteriormente, a partir da observação dos Lattes de cada um, verificamos que 234 identificavam a psicologia social no campo Área de Atuação, mas apenas 11 identificavam a psicologia política. Por fim, chegamos ao número de 194 pesquisadoresque, além destas identificações, possuíam pelo menos um artigo com termos-chave no título que indicavam a análise de temas politicos[2]. Os 11 docentes que identificavam psicologia política no segundo recorte mantiveram-se entre estes 194 pesquisadores.

Em relação aos textos da RPP discutidos neste artigo, lemos os editoriais e mensagens da ABPP publicadas entre os números 1 e 32 da revista[3]. Selecionamos trechos destes textos referentes às duas questões centrais a este artigo. Primeiramente, localizamosa discussão sobre a inserção da psicologia política nos PPG brasileiros. Ao observamos que esta inserção era entendida como um desafio, buscamos localizar trechos sobre a segunda questão: a delimitação do campo da psicologia política no Brasil. Neste segundo momento, recorremostambém ao texto do escopo editorial da revista.A partir das seleções de trechos, mas também considerando os textos na sua completude, construímos uma síntese de cada um dos textos focalizando as duas questões centrais.

Para a discussão, abordamos aspectos semelhantes e divergentesreferentes a cada uma das duas questões. Além disso, partindo de uma concepção discursiva da realidade (Laclau & Mouffe, 2015), concebemos que não temos acesso direto à realidade. Desta maneira, consideramos os editoriais e as mensagens da ABPP, bem como a discussão que realizamos, como modos de significação sobre o campo da psicologia política no Brasil, e não como parte de uma narrativa linear rumo a um conhecimento verdadeiro e, assim, a uma homogeneidade da psicologia política. Nesta medida, a historia da ciência é entendida como construída por continuidades e descontinuidades nos jogos de poder que lhe são constitutivos (Castro, Portugal, Jacó-Vilela, 2011).

Concebemos que os editoriais da RPP apresentam tanto posicionamentos dos editores da revista a respeito da psicologia política quanto a apresentação dos artigos aceitos para publicação e, portanto, considerados compatíveis com o escopo da RPP. Entre os anos 2001 e 2008, o que corresponde à publicação do número 01 até o número 14, os editores da RPP foram Marco Aurélio Máximo Prado e Salvador Sandoval. A partir de 2008, Alessandro Soares da Silva assumiu a editoria da RPP, realizando este trabalho em conjunto com Celso Zonta até 2011 (número 22 da RPP) e, posteriormente, de maneira individual, até 2016 (número 34 da RPP).

Em relação às mensagens da ABPP, entendemos que nestas a diretoria da Associação apresenta posicionamentos em relação à psicologia política, além de trazer informações sobre atividades ligadas à ABPP e também à psicologia política de maneira geral. Dos 32 números da revista que foram analisados, em 13 não foram publicadas mensagens da ABPP[4]. A ABPP inicialmente foi presidida por Leoncio Camino (2001-2002), posteriormente, por Salvador Sandoval (2002-2006), por Cornelis Johannes van Stralen (2006-2008), por Marco Aurélio Máximo Prado (2009-2010), e novamente por Salvador Sandoval (2011-2014).  Entre 2015 e 2017, a ABPP foi presidida por Fernando Lacerda.

Encontro-me vinculado à ABPP desde 2005, tanto em termos da participação nos Simpósios organizados pela Associação, quanto em termos institucionais, como membro de diretoria e de equipe editorial da RPP. Esta vinculação localiza-me, portanto, no interior do próprio debate que realizo neste artigo.

Os editoriais da Revista Psicologia Política e as mensagens da ABPP: o desafio da inserção nos Programas de Pós-Graduação brasileiros

No primeiro número da RPP, no texto de apresentação da Sociedade Brasileira de Psicologia Politica (SBPP),Camino (2001) afirma que, apesar da importância da psicologia política como campo de conhecimento, esta limitava-sea alguns poucos programas de pós-graduação no Brasil.

Diante disso, enfoca-se que o Grupo de Trabalho em Comportamento Político da ANPEPP, em 2000, considerou importante a construção da SBPP, posteriormente, denominada ABPP. Objetivava-seampliar o espaço de discussão deste campo de conhecimento para além do GT, facilitando o intercambio científico entre pesquisadores brasileiros e internacionais através de encontros científicos e da RPP. Além disso, destaca-se que se pretendia expandir o ensino da Psicologia Política nos cursos de graduação no país (Camino, 2001).

Na Mensagem da ABPP publicada no número 5 da RPPregistra-se que como a psicologia política éum campo interdisciplinar, a revista estava a enfrentar dificuldades de inserção na academia brasileira, pois esta caracterizava-se (talvez, ainda se caracterize) pela cristalização “em seus redutos mono-disciplinares” (Sandoval, 2003, p. 07).

Na Mensagem da ABPP publicada no número 19 afirma-se que a visibilidade da psicologia política no Brasil ainda era um desafio, apontando-se para a existência de um grande número de estudantes que tinham interesse por conhecer este campo de conhecimento, mas que este se fazia ausente em seus cursos de graduação (Prado, 2010).

Mais recentemente, no editorial do número 31, publicado em 2014, concebe-se que é possível testemunhar um avanço e amadurecimento da psicologia política no Brasil. Por outro lado, contudo, ressalta-se que “Indubitavelmente há muito mais para crescer. Crescer significa ampliar o ensino da Psicologia Política no Brasil tanto na graduação como na Pós-Graduação”(Silva, 2014, p. 446).

Deste modo, é possível observarmos que antes da fundação da ABPP e do primeiro número da RPP até os números publicados em2014, portanto, por ao menos 15 anos, a inserção da psicologia política nos cursos de pós-graduação, e também de graduação, no Brasil, é considerada um importante desafio para a consolidação da psicologia política brasileira. O que converge com o pequeno número de pesquisadores de PPG mapeados que identificavam a psicologia política como área de atuação. Situação que nos leva a indagar: que fatores têm contribuído para a manutenção deste desafio neste período temporal?Um destes fatorespode ser a delimitação do campo da psicologia política, a qual focalizamos neste artigo.

Delimitação da psicologia política: alternativas e dificuldades de configuração do campo

Ao centrarmos-nos na delimitação da psicologia política para pensar o desafio de sua consolidação no Brasil, faz-se possível questionar:

  1. Hà no país uma delimitação muito estrita da psicologia política e, assim, uma dificuldade para pesquisadores que atuam no Brasil se identificarem com este campo?
  2. Ou, diferentemente, há uma escassa delimitação ou mesmo uma delimitação muito ampla que borraria a distinção, por exemplo, entre a psicologia política e a psicologia social crítica que fundamentou a constituição da Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO)?Neste sentido, a pequena identificação com a psicologia política estaria relacionadaà dificuldade de circunscrevê-la.

Ao recorrermos aos editorias e às mensagens da ABPP publicados nos números da RPP observamos diferenciações na delimitação do campo da psicologia política. Se em alguns números verifica-se uma tentativa de maior circunscrição deste campo, de modo geral, as concepções são amplas, sendo apontado em determinados editoriais, inclusive, o afastamento da busca por uma delimitação.

Esta observação sugereque a pequena identificação com a psicologia política pelos pesquisadores mapeados e a dificuldade de inserção deste campo nos Programas de Pós-Graduação e nos cursos de Graduação não estariam envolvidas com uma delimitação estrita da psicologia política. Estariam mais bem relacionadasà escassez ou amplitude em circunscrevê-la, contribuindo negativamente para a compreensão deste campo de conhecimento pelos pesquisadores. Consideração que poderá ser melhor avaliada a partir de estudos posteriores que adotem como estratégias metodológicas, por exemplo, entrevistas com pesquisadores de cursos de graduação e de pós-graduação brasileiros que investigam fenômenos políticos.

Apresentaremos três possibilidades de definição construídas nos editoriais e mensagens da ABPP publicadas na RPP. Antes, entretanto, apontaremos que a diversidade de definições sobre o que é a psicologia política não se restringe ao Brasil, sendo possível observá-la também a nível internacional através da comparaçãoentre posições de autores que atuam fora do país, constituindo-se em um desafio para o campo.

Apontamentos sobre a delimitação da psicologia politica no exterior: Dorna, Sabucedo e Montero

Recorremos a dois autores e a uma autora que têm contribuído para a visibilidade da psicologia política na Europa e na América Latina: Alexandre Dorna, editor da Revista de Psicologia Política francesa (C@hiers de Psychologie Politique); José Manuel Sabucedo Cameselle, pesquisador atuante no campo da psicologia social e da psicologia política na Espanha; Maritza Montero, primeira pesquisadora mulher e de origem latino-americana a presidir a Sociedade Internacional de Psicologia Política (ISPP) (Sandoval, 2004).

De acordo com Dorna (2007), é importante refletirmos não apenas sobre a própria psicologia política como disciplina, pois seus contornos ainda seriam tênues, mas também sobre os limites e as ligações dela com outros campos das ciências humanas. Ressalta que “a psicologia política não é a aplicação dapsicologia social ao domínio da política, nem é tão pouco sua filha rebelde, mas antes uma perspectiva autônoma, aguardando uma renovação epistemológica e social que atravesse o nosso tempo e se inscreva na agenda do futuro” (p. 26).

Segundo Dorna (2007), o ressurgimento da psicologia política desde os anos 1980 nos EUA, na América Latina e na Europa, depois de seu desaparecimento no contexto francês após um início promissor no final do século XIX, deve-se à crise da modernidade nos diferentes domínios do conhecimento. Esta crise caracteriza-se pela demonstração do esgotamento do projeto Iluminista através dadescoberta pela razão de cada vez mais zonas de incerteza na compreensao da realidade, visto que a proliferação de microteorias tem produzido um aumento exponencial de informações e faz-se ausente um paradigma unificador. Segundo o autor, quanto mais as microteorias se multiplicam, menos dispomos de uma teoria social explicativa da realidade, sendo produzido um efeito perverso: o conhecimento transforma-se em conhecimento de nada, pontual e rapidamente fora de moda. Nesta inexistência de grandes perspectivas, de acordo com Dorna (2007), justifica-se a aposta epistemológica em disciplinas transversais, sendo esta uma das razões de fundo do retorno da psicologia política.

Outra razão, segundo Dorna (2007), é a atualização por diferentes autores (Foucault, Habermas, Touraine) da problematica da questão do sujeito e da subjetividade, ressaltando-se a importância do afeto na compreensão do sujeito e a centralidade do debate sobre antigas noções como democracia, república, cidadania, estado-nação.

De acordo com Dorna (2007), a psicologia política apresenta heterogeneidade teórica e temática, o que dificulta a construção de uma definição. Existe, entretanto, segundo o autor, uma coerência no interior desta heterogeneidade: a elaboração de uma abordagem transversal que leva em conta o processo histórico e cultural. Aspecto, entretanto, como abordaremos abaixo, que não a distinguiria explicitamente da psicologia social crítica brasileira.

Sabucedo, em uma entrevista realizada em 2014, compreende que a psicologia política nasceu não tanto por parte dos psicólogos, mas por parte dos politólogos que sentiram a necessidade de recorrerem a teorias psicológicas para explicarem o comportamento do sujeito na vida política. Entretanto, diferente de Dorna (2007), que busca distinguir claramente psicologia política e psicologia social, Sabucedo, ao ser perguntado se a psicologia política seria uma linha de especialização da psicologia social, afirma ser a psicociência cognitiva fundamental à psicologia política e que hoje “os conceitos da psicologia cognitiva básica filtrados pela psicologia social são os que estão sendo utilizados para explicar o comportamento político” (Arias, 2014, p. 177).Desta maneira, podemos entender que a psicologia política teria como base a psicologia e a psicologia social, não sendo ressaltado nesta entrevista uma delimitação explícita entre psicologia política e psicologia social.

Em artigo publicado em 2000, Sabucedo e Rodriguez afirmam que a psicologia social foi uma “disciplina que contribuiu de forma significativa para o desenvolvimento da psicologia politica” (Sabucedo & Rodriguez, 2000, p. 05, tradução nossa), bem como que a psicologia política é uma disciplina consolidada e reconhecida, sendo a existência de manuais, associações científicas, congressos provas desta consolidação. Neste caso, podemos notar mais claramente a compreensão da psicologia política como uma disciplina autônoma que tem a psicologia social como uma de suas bases. Cabe-nos tambémressaltar a justificativa da autonomia a partir de elementos referentes à constituição de uma comunidade científica.

Para os autores, o objeto da psicologia política é “a análise das relações entre processos psicológicos e políticos” (Sabucedo e Rodriguez, 2000, p. 02, tradução nossa), sendo uma disciplina que apresenta uma clara vocação interdisciplinar, pois busca integrar conhecimentos da psicologia e da ciência política a fim de alcançar uma melhor compreensão dos processos e fenômenos políticos. A diversidade temática e a interdisciplinaridade, segundo os autores, proporciona uma heterogeneidade teórica e metodológica no interior da psicologia política, a qual é entendida não como um problema, e sim como um característica estimuladora para a produção de debates e críticas.

Sabucedo e Rodriguez (2000)defendem que, como em qualquer outra área científica, as diferentes perspectivas buscam alcançar hegemonia no interior da disciplina. Neste terreno de disputas, criticam a perspectiva dominante de psicologia política, construída nos EUA, ao conceberem que se tratamais de uma ‘psicologia da política’ do que de uma “autêntica Psicologia Política” (Sabucedo & Rodriguez, 2000, p. 12, tradução nossa). Isto é, esta perspectiva busca explicar os comportamentos políticos a partir de processos psicológicos concebidos como universais, negligenciando, assim, as condições históricas e socioculturais nas quais os fenômenos políticos emergem.

Montero (2009) afirma que muito da psicologia política existente trata-se de “uma psicologia social orientada para o conhecimento dos fenômenos políticos” (p. 202, tradução nossa). Outra tendência é derivada da psicologia clínica, que busca estudar o caráter mais ou menos patológico de grandes figuras políticas.

Apesar de variações relativas à definição da psicologia politica, Montero (2009) concebe que para a compreensão tradicional de psicologia política a função desta é “aplicar a psicologia à compreensão da política” (p. 202, tradução nossa), tratando-se de uma “psicologia da política” e, portanto, de uma interação entre dois campos distintos – psicologia e política.

Mais recentemente, segundo Montero (2009), ocorreram questionamentos a esta definição tradicional em razão dela acarretar a compreensão da psicologia política como um ramo da ciencia política ou, até mesmo, na negação da psicologia política, devido alguns autores considerarem que o que há é uma psicologia social da política. Deste modo, segundo a autora, há posições que defendem a necessidade de se desenvolver uma psicologia política propriamente dita (PPPD), como um campo autônomo, que desenvolveria teorias que pudessem ser aplicadas na psicologia e não o contrário.

As teorias desta PPPD deveriam ser feitas em função de aspectos substantivos, conceituais e metodológicos, levando em conta o contexto político, que é o ambito natural da conduta social humana, para gerar princípios psicológicos de carater geral pancontextuais, que pudessem enriquecer todo o ambito da psicologia; incluindo nele o político, pois também é objeto da conduta humana (Montero, 2009, p. 203, tradução nossa).

Uma terceira via de compreensao da psicologia política, segundo Montero (2009) pode ser construída a partir da distinção entre espaço público e espaço privado, dos comportamentos dos seres humanos nestes espaços e das consequencias destes comportamentos para a coletividade. A autora ressalta que essa distinção assinala o que se denomina o âmbito do político: “Espaço e tempo que ocorre no espaço público, mas que tem consequencias que podem modificar a esfera privada” (p. 204, tradução nossa). A permeabilidade entre os espaços público e privado, segundo a autora, demonstra o caráter poroso e mutante entre eles, de modo que se a vida pública é a vida política, fenômenos como o poder, a ideologia e a alienação podem se manifestar em ambos os espaços.

Segundo Montero (2009), a partir desta terceira compreensão, a psicologia política é definida da seguinte maneira:“um espaço multidisciplinar que se ocupa de descrever, analisar e explicar os fenomenos relativos à vida pública em função das prescrições sociais geradas para organizar essa vida e dos mecanismos de poder que operam nela, explicitando os recursos comunicativos, persuasivos e de força empregados neste espaço” (p. 204, tradução nossa).

A ocupação consciente do espaço público é entendida por Montero (2009) como uma tarefa politizadora das ações dos indivíduos, de maneira que a relegação da cidadania ao espaço privado significa um modo de ideologização que visa impedir manifestações transformadoras. Deste modo, a atuação anti-ideologizadora é uma forma de ação da psicologia política nesta terceira compreensão, segundo a autora, sendo a psicologia social da libertação, construída na América Latina, uma perspectiva de psicologia política.

Montero (2009) enfatiza a produção latino-americana ao entendê-la como uma alternativa à perspectiva tradicional da psicologia política em razão do que propõecomo objetivos para este campode conhecimento e da reinterpretação de conceitos clássicos sob uma concepção que considera problemas específicos de realidades específicas, que assume uma posição transformadora e que compreende a política como não reduzida a associações partidárias, ainda que não as descarte.

Trata-se, segundo Montero (2009), de uma psicologia política que tem como base a psicologia social, “mas sua direção, conteúdo e definição são políticas no sentido de capacitar, fortalecer e facilitar a ação transformadora da sociedade em função da igualdade e da justiça social, dar voz aos silenciados e incorporar o saber popular” (p. 206-207, tradução nossa). O que nos chama atenção para uma aproximação desta definição com a ideia de “politização da psicologia”, que apontaremos abaixo.

O mapeamentode definições sobre a psicologia política produzido por Montero (2009)indica-nos a presença de uma diversidade de delimitações do campo. Nesta diversidade, a autora posiciona-senos termos da terceira compreensão proposta. Este posicionamento coaduna-se com a sua concepção de que “Para julgar a pertinência, utilidade e alcance da psicologia política é conveniente em primeiro lugar dizer o que se entende por ela” (Montero, 2009, p. 202, tradução nossa).

Convergindo-nos com esta concepção de Montero (2009), retornamos para a compreensão dos editorias da RPP e das mensagens da ABPP a fim de apresentar os caminhos a partir dos quais a psicologia política é entendida neles.

Caminhos de delimitação da psicologia política brasileira

Podemos encontrar nas Mensagens da ABPP, nos editoriais publicados nos 32 números da RPP e no escopo editorial da revistaao menos três caminhos de delimitação da psicologia política. Inclusive, algumas vezes, apresentam-se cruzados em um mesmo texto. Estes caminhos são os seguintes:

  1. Compreensão da Psicologia Política como uma relação entre “Psicologia” e “Política” e, portanto, como uma relação entre dois campos que se articulam e que podem, assim, produzir tanto uma psicologia da política (aplicação de conceitos psicológicos à compreensão da política)como uma polítização da psicologia (psicologia engajada politicamente). No primeiro caso podemos lembrar a crítica de Sabucedo e Rodriguez (2000) e de Montero (2009) à definição tradicional de psicologia política. Coerente com esta crítica, na RPP observa-se o questionamento à transposição descontextualizada de conceitos psicológicos para a explicação de fenomenos políticos. O segundo caso aproxima-se da psicologia social da libertação, a qual Montero (2009) enfatiza ao apontar para uma psicologia politica latinoamericana.
  2. Delimitação da psicologia política a partir da psicologia social. Caminho que se afasta da proposta de Dorna (2007) e se aproxima da concepção de Montero (2009) referente àconsideração da psicologia social da libertação como psicologia política.
  3. Afirmação da Psicologia Política como um modo de compreensão autônomo dos fenômenos políticos. Caminho que converge com a proposta de Dorna (2007) e de Sabucedo e Rodriguez (2000), bem como com a segunda perspectiva apresentada por Montero (2009).

Quanto ao primeiro caminho, o da relação entre “psicologia” e “política”, podemos notá-lo explicitamente no texto de apresentação da Sociedade Brasileira de Psicologia Política, publicado nonúmero 1 da RPP. Neste texo, Camino (2001) concebe a SBPP como “uma nova interlocutora no campo da Psicologia no Brasil” (s/p)e a psicologia política “como uma área da Psicologia que estuda o comportamento político”(s/p).

Entretanto, o autor, ao reconhecer que esta definição é muita ampla, propõe distinguir“psicologia política” e“psicologia da política” a fim de melhor delimitar a primeira.

Na primeira expressão [psicologia política] indica-se que a psicologia não se encontra à margem da política; afirma-se que a própria Psicologia contém implícita ou explicitamente pressupostos ideológicos. Pelo contrário, na expressão Psicologia da Política, considera-se ambos termos como independentes e/ou diferentes; significa uma disciplina que consiste na aplicação do conhecimento psicológico ao estudo dos fenômenos políticos. (s/p).

Apesar de Camino (2001) considerar útil esta distinção para situar diferentes abordagens teóricas presentes no campo da psicologia política, defendeque, se radicalizada, ela pode levar-nos a extremos. “No primeiro caso, corre-se o risco de “politizar a psicologia”, ‘ou seja, de transformá-la em puro instrumento da luta política” (Camino, 2001, s/p). Neste sentido, enfatiza-se as opções políticas dos psicólogos “em detrimento do desenvolvimento teórico e analítico do conhecimento científico” (s/p).

“No segundo caso, ‘psicologiza-se’ a política, ao substituir-se dimensões políticas por conceitos e variáveis psicológicas consideradas como universais e totalmente descontexualizadas das circunstâncias históricas e políticas” (Camino, 2001, s/p).

Ainda que realize esta diferenciação, de acordo com Camino (2001), naquele momento de construção da SBPP não era útil afirmar uma definição a priori do que se entendia por Psicologia Política. Ao invés disso, considera que se deveria “construir um campo democrático e competente de debates que [permitisse] estabelecer um processo fecundo de debate dos significados possíveis da Psicologia Política.”. (s/p)

Contudo, Camino (2001) salienta que isso não significava a SBPP se apresentar como neutra, pois os pesquisadores do GT da ANPEPP que a fundaram, ainda que não apresentassem um referencial teórico comum, concebiam “a Psicologia Política como o estudo dos aspectos subjetivos dos fenômenos políticos, postura que tem em conta que os conceitos utilizados fazem parte, de alguma maneira da arena política”(s/p). Camino (2001) critica o reducionismo e o individualismo implícito em análises que partiam de conceitos psicológicos para investigar o comportamento político dos indivíduos.

Ainda em relação a este primeiro caminho de delimitação da psicologia política, podemos localizar o texto da linha editorial da RPP, presente em diferentes números da revista.Neste texto afirma-se que a RPP é

um periódico de estudos das problemáticas no campo da Psicologia Política que tem como epicentro a reflexão sobre o comportamento político nas sociedades contemporâneas. O ponto de intersecção entre estas duas áreas científicas – Psicologia e Política – tem sido a preocupação com a construção de um universo de debate no qual nem as condições objetivas nem as subjetivas estejam ausentes. (RPP, 2001, p. 06).

Esta concepção pautada na relação entre “psicologia” e “política” também pode ser observada em editoriais da RPP. Por exemplo,os artigos publicados no número 3 da RPP são apresentados no editorial “como resultados de pesquisa na interface de estudos sobre fenômenos políticos e a psicologia” (Prado& Sandoval,2002, p. 11). O campo da psicologia política é entendido como “uma inquestionável contribuição à psicologia como ciência e como prática interventiva na esfera das relações de poder e dos conflitos sociais” (p. 13).

O segundo caminho de compreensão da psicologia política implica considerar a polêmica sobre a relação entre a psicologia política e a psicologia social crítica brasileiras. Este caminho se cruza, em alguns textos, com a concepção de politização da psicologia.

Um editorial interessante de ser apontado é o publicado no número 2 da RPP. Neste editorial afirma-se que uma polêmica presente naquele momento residia “no debate entre a Psicologia Social Crítica e a Psicologia Política.” (Prado & Sandoval, 2001, p. 10). Remetendo-se a um artigo produzido por Maria de Fátima Quintal de Freitas, os editores da RPP a época afirmam que a posição da autora parecia ser que “a Psicologia Social Crítica, especialmente aquela que passou a ser denominada de Comunitária, pelas suas praticas em comunidades e com grupos alijados das trocas sociais dominantes, é uma forma de Psicologia Política.” (2001, p. 10).

Para os editores, “Esta é uma posição que corrobora, em parte, a posição de alguns pensadores e pesquisadores latino-americanos; posição que dá ênfase na ‘politização do fazer psicológico’ mas não necessariamente na apreensão do comportamento político como objeto de interpelação” (Prado & Sandoval, 2001, p. 10).

Nesta compreensão se se aponta para posições distintas no campo no que tange à relação entre a psicologia política e a psicologia social, noeditorial do número 3 da RPP observa-seum posicionamento dos editores que denota a psicologia social como a lente a partir da qual se constitui a psicologia política. Afirma-se que a RPP “preocupa-se em trazer ao debate experiências bem sucedidas do processo de formação de pesquisadores interessados no campo de reflexão sobre os fenômenos políticos à luz da psicologia social” (Prado & Sandoval, 2002, p. 11).

No número 5, na Mensagem da ABPP, ressalta-se a relação entre a ABRAPSO e a ABPP, afirmando-se que estas associações científicas “iniciaram no Brasil a virada do foco da psicologia tradicional, marcadamente conservador e alienado da realidade nacional, ao enfoque que privilegia a aplicação de nossos conhecimentos em psicologia social e política para procurar soluções aos grandes problemas nacionais” (Sandoval,2003, p. 07).

O editorial do número 6 da RPP reforça a vinculação entre psicologia social e psicologia política ao afirmar que “Esforços coletivos (…) foram mobilizados para que a RPP surgisse como expressão de um acúmulo de conhecimentos produzidos no interior da psicologia social, na sua expressão mais centradamente política” (Prado & Sandoval, 2003, p. 195). Neste número foi publicado um artigo de Maritza Montero, autora caracterizada no editorial como uma pesquisadora que “tem trabalhado com brasileiros e latino-americanos na consolidação de um campo político da Psicologia Social desde meados de 1970” (p. 196).

Na Mensagem da ABPP publicada em 2010, no número 19 da RPP,retoma-se a polêmica relativa à relação entre psicologia política e psicologia social, bem como ao debate entre “psicologia” e “política”:

O nascimento da ABPP não se deu sem polêmicas, já que é bastante complexa a tarefa de delimitar o que seria então a Psicologia Política no campo de produção da Psicologia Social no Brasil. Muitas questões emergem deste debate que merecem nossa atenção: seria uma psicologia engajada politicamente, seria uma inserção da psicologia nos estudos da política ou seu inverso? (Prado, 2010, p. 08).

No terceiro caminho de delimitação da psicologia política, referente à concepção destacomo uma ciência autônoma, somos colocados diante da tentativa de afastamento dos dois caminhos anteriores.

No editorial do número 32 da RPP, o editor, ao apontar que se trata de “um número marcado pelo debate em torno a temas que estão relacionados ao político e a política” (Silva, 2015, p. 11),  destaca que “esses temas não necessariamente são próprios da psicologia política, mas mais bem de uma psicologia da política ou mesmo de uma política da psicologia” (p. 11). Contudo, considera que são temas relevantes para a construção de um campo psicopolítico.

Segundo Silva (2015), temas relativos à luta por direitos e à “construção do humano” têm “sido a tônica de uma grande parte do que tem sido publicado na Revista Psicologia Política” (p. 11), apontando para uma tendência no campo que apresenta como ponto comum “uma visão de ciência cônscia de seu papel social e político para a transformação da realidade social” (p. 12). Em torno desta concepção de ciência, Silva (2015) aproxima a psicologia política da psicologia social e da psicologia social comunitária, considerando a atuação de Martin-Baró contra a ditadura salvadorenha um marco na psicologia política latino-americana comprometida com a luta pela democracia e por justiça social.

Apesar desta aproximação, observa-se também neste editorial uma construção discursiva da psicologia política como um campo autônomo que teria como fontes originárias a psicologia social e as ciências políticas, posição semelhante ao observado em Sabucedo e Rodriguez (2000).  Neste sentido, Silva (2015) justifica a publicação na RPP de dois artigos dedicados à análise da psicologia social da seguinte maneira: “A Psicologia Social foi, junto com as ciências políticas, uma das fontes que deu origem à Psicologia Política. Portanto entender os espaços de ação e de desenvolvimento da Psicologia Social é relevante para nossa compreensão de um determinado modo de ser da Psicologia Política.” (p. 12).

A autonomia da psicologia política na RPP articula-se, principalmente, com a noção da interdisciplinaridade como constitutiva deste campo, característica também presente nas compreensõesde psicologia política propostas por Dorna (2007), por Sabucedo e Rodriguez (2000) e por Montero (2009).

Na mensagem da ABPP publicada no número 5 da RPP, ainda que se considera que “a história da pesquisa em Psicologia Política no Brasil, desde seu início, esteve imbrincada com a trajetória da ABRAPSO” (Sandoval, 2003, p. 06), afirma-se que a RPP “tem se mostrado um importante veículo para a implantação no país de uma nova área nas ciências humanas” (p. 07), a psicologia política. Compreende-se que a psicologia política caracteriza-se por ser eminentemente interdisciplinar, de modo que a RPP conta “com a colaboração de pesquisadoresvindos das diversas disciplinas tradicionais tais como a psicologia social, a sociologia, a ciencia política, a antropologia social, a filosofia e a psicologia.”(p. 07).

Na Mensagem da ABPP publicada no número 9 da RPPreafirma-se a relação entre a ABPP e a ABRAPSO, entretanto, ressalta-se que a psicologia política não se situa “no interior da Psicologia Social, mas na encruzilhada das Ciências Humanas” (Sandoval, 2005, p. 10).

A interdisciplinaridade continua a ser o elemento que indica a autonomia da psicologia política em outros números da RPP. No editorial publicado no número 19, Silva e Zonta (2010) ressaltam que a interdisciplinaridade fez-se presente na emergência da psicologia política no início do século XX, recordando os 100 anos da publicação do livro Psicologia Política e Defesa Social, publicado por Le Bon. E no número 21, concebem que a psicologia política latino-americana é um campo que “se constitui interdisciplinarmente, e no qual o encontro de saberes disciplinares possibilita a produção de novos olhares, de novas formas compreensivas dos fenômenos coletivos” (Silva & Zonta, 2011, s/p).

Cabe-nos chamar atenção também para o editorial do número 24 da RPP, na medida em que além de seressaltar a interdisciplinaridade na delimitação da psicologia política como um campo autônomo,afirma-se uma distinção com a psicologia social:

Nossa revista não quer ser apenas um espaço de produção de texto que são política e socialmente comprometidos. Não se trata aqui de publicarmos artigos de uma psicologia comprometida politicamente, pois isso não faz do manuscrito um manuscrito de Psicologia Política.

Ainda que estes textos possam ser muito bons, ter discussões demasiado interessantes, eles não deveriam encontrar abrigo neste periódico, pois, do contrário, nosso veículo de informação científica se tornaria um periódico genérico ou quem sabe de Psicologia Social. (Silva, 2012b, p. 189-190).

Outro editorial a ser salientado é o publicado no número 28 da RPP, em conjunto com a Associação Ibero-Latino-Americana de Psicologia Política (AILPP). Neste editorial, diante do apontamento de que autores de diferentes disciplinas publicaram na revista em 2013,afirma-se: “Indubitavelmente a Psicologia Política passou o limite compreensivo que a associava a uma subdisciplina dentro da Psicologia Social e passou a ser percebida como um interstício disciplinar” (Silva & Pezzia, 2013,p. 417-418).

Ressaltando-se este caráter interdisciplinar, no editorial publicado no número 31concebe-se que com a psicologia política

nasce um campo de saber que pode convergir diferentes modos de observar e lidar com as complexas questões com que a sociedade hodierna se defronta. Seu caráter interdisciplinar aproxima perspectivas de estudar e de entender o mundo que em uma perspectiva disciplinar encontram-se divididos, fracionados e fazem com que o mundo seja visto com um olhar distorcido. (Silva, 2014, p. 445).

Um problema da delimitação da autonomia da psicologia política pela interdisciplinaridade é que, como se observa no editorial publicado no número 7 da RPP, “A psicologia política, assim como a psicologia social e outras disciplinas, deve ser entendida como uma área de fronteiras. Ou seja, ela é produzida não a partir de um campo específico, mas toma como base, temáticas e campos interdisciplinares, híbridos e heterogêneos.” (Prado & Sandoval, 2004, p. 11). Assim, nesta compreensão, o caráter interdisciplinar não seria um atributo que distinguiria a psicologia política da psicologia social, retornando ao questionamento relativo à distinção entre estes campos de conhecimento.

Considerações finais: lacunas para a delimitação ou a não necessidade de uma delimitação?

Coadunamos com a posição presente na Mensagem da ABPP publicada no primeiro número da RPP, também observada em outros números, que a revista seja um espaço de diálogo e de explicitação de polêmicas internas. Bem como compartilhamos da compreensão presente no editorial do número 2 da RPP, “que um campo científico se constitui a partir de seu fazer e dos seus discursos construídos cientificamente” (Prado & Sandoval, 2001, p. 10), devendo a RPP constituir-se num espaço de debate.

Neste sentido, também nos colocamos junto à Sabucedo e Rodriguez (2000) no que tange à concepção da ciência como uma construção social e, portanto, que qualquer campo cientifico, não sendo a psicologia política uma exceção, encontra-se marcado por disputas hegemônicas referentes a sua delimitação. O que nos leva a atentar para as continuidades e descontinuidades na produção de um campo de conhecimento.

Por outro lado, ressaltando a colocação no número 1 da RPP que a ABPP não se situavaneutra nas polêmicas suscitadas no campo (Camino, 2001) e a consideração de Montero (2009) da importância de se definir o que se entende como psicologia política para se refletir sobre sua pertinência, utilidade e alcance parece-nos importante que a ABPPposicione-se em relaçãoao caminho no qual se localiza nas contingências históricas do presente.

No momento de fundação da Associação podia não ser útil afirmar uma delimitação da psicologia política, entretanto, após 16 anos de existência da ABPP, consideramos que o posicionamento em torno de um caminho pode ser uma forma de contribuir para a consolidação da psicologia política no país.

Afirmarmos esta compreensão ao julgar falsa a dicotomia entre uma diversidade de delimitações possíveis e a afirmação em torno de uma perspectiva de psicologia política. É falsa por ao menos duas razões: A) se a ciência é entendida como construção social, o posicionamento em torno de uma delimitação não significa a única concepção possível de psicologia política. Trata-se de reconhecer que a disputa hegemônica entre as diferentes posições é essencial para a consolidação do campo em termos da produção de identificações entre pesquisadores. B) a delimitação de uma concepção pela ABPP, diferente de significar a impossibilidade da presença de outras posições na associação e na RPP, pode ser construída como potencializadora de debates entre estas posições. A ausência de uma delimitação clara, ao contrário, pode fazer com que as diversas posições sejam entendidas apenas como diferenças, dificultando o debate sobre os pressupostos antagônicos que as fundamentam e, assim, sobre as suas implicações para a compreensão dos fenômenos políticos.

Assim, afirmamo-nos favoráveis a um posicionamento da ABPP, no sentido em que poderia contribuir para a consolidação do campo da psicologia política no Brasil e, ao mesmo tempo, ressaltamos a importância da heterogeneidade, mas entendida não como dispersão de possibilidades, e sim como produzida num terreno científico de disputas discursivas.

Não tivemos neste artigoa pretensão de definir o caminho a ser seguido pela psicologia política brasileira, pois entendemos que este deve ser fruto de articulações entre aquelas e aqueles que atualmente constroem a ABPP e se identificam com a psicologia política no país.Para finalizar, gostaríamos, entretanto,de ressaltar dois apontamentos.

Primeiro apontamento: o primeiro caminho abordado nos textos da RPP, caracterizado pela compreensão da psicologia política como uma relação entre “psicologia” e “política”, pode nos levar a circunscrever a psicologia política à psicologia.

Este risco de redução da psicologia política à psicologia é observado em duas Mensagens da ABPP, publicadas nos números 12 e 14 da RPP. No número 12 aponta-se para a ausência de pesquisadores de outros campos de saber na maioria das mesas redondas do IV Simpósio da ABPP (Stralen, 2006).  No número 14 afirma-se que se vivia um “relativo isolamento da psicologia política brasileira no campo da psicologia” (Stralen, 2007, p. 250). Dez anos depois deste texto, a pergunta sobre o risco de redução da psicologia política à psicologia ainda é possível se fazer presente.

Também remetendo-se a este risco, cabe-nos ressaltar, inclusive, que foi em torno da compreensão da psicologia política a partir da psicologia social e da psicologia que os procedimentos metodológicos que orientaram o mapeamento de pesquisadores que deu origem a indagação inicial deste texto foram construídos, uma vez que selecionamos pesquisadores vinculados a PPG em Psicologia Social ou em Psicologia. Escolha convergente com a consideração que a ABPP fundou-se a partir de um grupo de pesquisadores que se reuniam em torno de um GT de uma associação de pós-graduação em psicologia (a ANPEPP), bem como destas considerações sobre o isolamento da psicologia política brasileira na psicologia. Mapeamentos de pesquisadores vinculados a Programas de Pós-Graduação de outras áreas – como sociologia e ciência política –  é uma tarefa interessante de ser realizada.

Segundo apontamento: se a interdisciplinaridade converge com o segundo e o terceiro caminhos abordados, estes caminhos, da maneira que aparecem nos documentos analisados, repõem a questão sobre a diferença entre a psicologia política brasileira e a psicologia social crítica que fundamentou a ABRAPSO. A não clareza desta distinção pode ser um dos elementos que contribuem para que pesquisadoras que analisam fenômenos políticos apenas identifiquem a psicologia social como área de atuação, na medida em que a psicologia políticabrasileira confundiria-se com a psicologia social crítica e esta última e a ABRAPSO apresentam maior visibilidade que a psicologia política e quea ABPP.

Ressaltamos que não necessariamente se trata de contrapor psicologia social crítica e psicologia política, mas de apresentar deslocamentos entre estes campos, de modo a se considerar a razão de existência da psicologia política no país.

Estes dois apontamentos, por um lado, encaminha-nos para a compreensão da importância de uma delimitação clara da psicologia políticabrasileira a partir da apresentação depossibilidades das quais a ABPP deveria se distanciar. Por outro lado, deixam em aberto o que significa ser a Psicologia Política um campo autônomo de produção de conhecimento no Brasil.

Reafirmamos que a afirmação de uma delimitaçãopode contribuir para que mais e mais pesquisadores e estudantes se identifiquem com a psicologia política e se integrem a este campo não apenas no momento dos simpósios da ABPP e através da submissão de artigos na RPP, mas também de maneira a construí-lo cotidianamente nas graduações e pós-graduações brasileiras.

Nos últimos anos se podemos dizer que houve um fortalecimento dos vínculos da psicologia política brasileira com grupos de pesquisa de outros países latino-americanos – o que pode ser exemplificado pela fundação da Associação Ibero-Latinoamericana de Psicologia Política (AILPP), em 2011 -, permanecemos com o desafio de fortalecimento deste campo de conhecimento no Brasil. O que não significa, necessariamente, uma condição produtora de desencantamento, pois também pode ser lida, e este é o objetivo deste artigo, como um mote para aqueles que reconhecem a psicologia política como um campo de conhecimento busquem ampliar identificações em torno dele e disputar os modos de significá-lo.

Referências

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[1]Este artigo refere-se à discussão realizada no IX Simpósio Brasileiro de Psicologia Política, em outubro de 2016, na cidade de Natal/RN. Devido a atraso na publicação da RPP, até aquele momento a última públicação havia sido a de número 32, referente ao ano 2015.

[2] Os termos-chave utilizados na pesquisa foram decorrentes de uma pesquisa anterior (Autor, 2014), na qual foi construído, a partir de um levantamento dos títulos e/ou palavras-chave dos artigos presentes em todos os números publicados entre 1986 e 2011 da revista Psicologia & Sociedade, uma lista de termos que se remetiam diretamente à dinâmica política.

[3]Não tivemos acesso em papel ou online ao número 1 do volume 1 da RPP. Devido a isso, não lemos o editorial deste número e acessamos a Mensagem da ABPP através do site da ABPP(https://psicologiapolitica.org.br/sobre-a-abpp/).

[4] Os 13 números nos quais não se observou publicação de mensagens da ABPP foram: 11, 13, 17, 18, 20. 23, 24, 26, 27, 28, 29, 30, 32.

 

[1] A Associação Brasileira de Psicologia Política foi fundada originalmente com a denominação “Sociedade Brasileira de Psicologia Política” durante o I Seminário Nacional de Psicologia Política realizado em São Paulo (SP) entre 29 e 31 de maio de 2000. Posteriormente, em assembleia realizada durante o III Simpósio Brasileiro de Psicologia Política realizado entre 13 e 16 de abril de 2005 em Bauru (SP), atendendo exigências decorrentes das mudanças no Código Civil da Constituição Brasileira, a denominação da entidade mudou para Associação Brasileira de Psicologia Política

[2] Texto publicado originalmente na Revista Psicologia Política, vol. 1,n. 1 em 2001.

[3] Trecho retirado do texto publicado originalmente na Revista Psicologia Política, vol. 12, n. 25 em 2012. Disponível integralmente em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-549X2012000300004

[4] Artigo publicado originalmente na Revista Psicologia Política, vol. 18, n. 42 em 2018. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-549X2018000200002&lng=pt&tlng=pt.