Nota da Associação Brasileira de Psicologia Política sobre os 30 primeiros dias do governo Bolsonaro

A eleição de Jair Bolsonaro em 2018 criou uma situação extremamente desfavorável para aqueles e aquelas que lutam por democracia, contra a exploração e as opressões. Foi uma vitória que ocorreu após um golpe. Foi uma vitória que ocorreu após o judiciário atuar como cabo eleitoral. Foi uma vitória baseada em fake news financiadas em um esquema que está sendo investigado por ter utilizado pelo menos 12 milhões de reais para movimentar redes sociais. Foi uma vitória em um contexto marcado por agressões contra – e até mesmo assassinatos – mulheres, negras/os, LGBTs pelo simples fato de manifestarem suas opiniões políticas.

Aliado a este cenário, desde que o presidente Jair Bolsonaro tomou posse, vimos inúmeros retrocessos no avanço do desmonte de direitos e ataques contra as pessoas que mais sofrem com uma sociedade machista, patriarcal, heteronormativa, racista e capitalista. Não há uma dissociação entre os desmontes dos direitos LGBTs e o assassinato brutal de uma travesti que teve seu coração arrancado em Campinas/SP. Não há uma dissociação entre as declarações fundamentalistas e machistas de dirigentes do governo e o assassinato de mais de 100 mulheres neste poucos dias de 2019. Não há uma dissociação entre a sede incontrolável por lucro de apoiadoras/es do novo governo e a tragédia de Brumadinho, o agravamento da violência urbana ou o adoecimento físico e psíquico da classe trabalhadora.

O governo de Jair Bolsonaro representa uma mudança na situação social do Brasil. Trata-se de um governo formado com o apoio do capital financeiro e da bancada BBB (Bala, Boi e Bíblia), caracterizado pela presença ativa e significativa de militares em setores estratégicos do país. Ademais, há uma investigação que aponta a proximidade da família do novo presidente com dirigentes de uma milícia suspeita de ter assassinado a vereadora carioca Marielle Franco, isto é, uma mulher, negra, bissexual, da favela e socialista. Portanto, uma pessoa que expressa todos os grupos sociais que provavelmente serão os principais alvos de ataque do novo governo e de suas/seus apoiadoras/es.

A curta história da Associação Brasileira de Psicologia Política é marcada por um claro compromisso com as lutas das mulheres, de negras e negros, dos LGBTs, dos povos periféricos, de diversos movimentos sociais que lutam em defesa de direitos humanos, contra relações de dominação, por democracia e emancipação humana. A atual diretoria entende que tal compromisso, hoje, se expressa em um claro posicionamento de combate ao conjunto de retrocessos sociais, políticos e econômicos defendidos pelo novo presidente e suas/seus apoiadoras/es. Por isso, precisamos, mais do que nunca, participar da resistência contra a extrema-direita, lutando por um país igualitário, justo e que afirme nossas liberdades democráticas.

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